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segunda-feira, 02 de agosto de 2021

Artigos

Às vezes , dar tempo ao tempo é o melhor remédio

Uma das grandes artes da vida é saber deixar rolar. Nem sempre estamos preparados para dar respostas prontas, bater martelos, jogar pás de cal. O tempo e o cansaço natural das emoções vão colocando em seus devidos lugares as escolhas mais suaves. Comodismo? Inércia? Não. Muito pelo contrário. Em determinadas situações, a vida pede respostas imediatas , atitudes extremas, reflexos rápidos. Às vezes , quando pensamos demais para decidir entre A e B , perdemos ambos. Em muitos casos, deixar rolar e não ter pressa pode levar a uma estagnação eterna.
Quem espera demais para mudar de emprego, fazer uma viagem, começar um curso pode passar a vida sem fazer nada. Por outro lado, a vida apresenta algumas situações muito complexas , em que as nossas emoções ficam divididas. Queremos e não queremos ao mesmo tempo ir e ficar , desistir e lutar, falar e calar, acreditar e esquecer.
Quando as emoções entram nesta espécie de gangorra maluca , somos arremessados num mesmo dia para diversos estados de espírito e a decisão aparentemente perfeita da manhã pode ser um desastre à noite.
Nestes momentos, não adianta forçar a barra. Não adianta exigir de si mesmo algo que não temos para dar: a melhor resposta, a escolha que nos fará sofrer menos.
Nestes momentos , é bom dar tempo ao tempo, ligar o piloto automático, sair por aí para contemplar a vida, sem grandes pretensões , sem esperar encontrar em uma esquina qualquer veredito para o seu impasse.
Quando deixamos rolar, as respostas acabam por chegar de um jeito ou de outro. De forma mais orgânica, sem grandes traumas, deixando cicatrizes menos feias.

SÍLVIA MARQUES
Psicanalista, escritora, atriz.
Professora e Doutora em
Comunicação e Semiótica.

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