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domingo, 19 de maio de 2024

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“As portas do Hades não prevalecerão contra ela”

(Mt 16,18).

Depois de alimentar uma multidão, conforme o início do capítulo 6 do evangelho de João, Jesus percebeu que o queriam fazer Rei. Afinal, acreditavam que ele era o profeta enviado por Deus, que há tanto tempo aguardavam, e assim seria restaurado o reino de Israel com todo o seu poder e glória. Jesus se retirou, para orar, já era quase ao anoitecer.

Os apóstolos decidiram então atravessar sozinhos o lago de Tiberíades, rumo à cidade de Cafarnaum, onde tinham se estabelecido inclusive com Jesus, que deixaram para trás. o que não é uma boa decisão pra ninguém. Entretanto, iriam presenciar mais um sinal: já tinham remado por uns cinco quilômetros, mas enfrentavam grandes dificuldades devido à completa escuridão e mar muito agitado. Na verdade, estavam apavorados, e ficaram ainda muito mais amedrontados quando viram um homem caminhando sobre as águas rumo à barca.

E o sinal aconteceu, quando Jesus lhes disse: “Sou eu. Não tenham medo!” – porque, em seguida, de imediato, chegaram todos à margem, ao destino pretendido (Jo 6,20-21).

Esse fato sempre vem a propósito quando se fala das dificuldades e perseguições que a Barca de Pedro – a Igreja – sofre durante essa sua travessia que, desde então, já conta com dois mil anos. Nunca lhe faltaram adversários em todo esse tempo, que se utilizaram de todos os meios possíveis para afundá-la, e meios não apenas teóricos, mas também com as mais cruéis e selvagens torturas e execuções contra os seus membros que, mesmo assim, preferiram todo e qualquer tipo de sofrimento e morte a renegar a própria fé. Aliás, o que acontece ainda em nossos dias atuais.

A História da Igreja – disciplina obrigatória nos estudos teológicos – mostra, infelizmente, que mesmo entre seus governantes hierárquicos, desde o papado até simples clérigos, muitas vezes houve divisões internas, cismas, quebra da unidade pretendida por Cristo, feridas históricas que são profundamente lamentáveis.

E não é que o Papa Francisco, além de seus recentes antecessores, vem também enfrentando críticas, divisões, intrigas, e já surge nas mídias comentários analíticos sobre o que vai ocorrer na Igreja pós-Francisco?

São adversidades milenares, desde os primórdios. No entanto, quem não as conhece não tem a formação necessária para entender as perseguições e as ideologias contrárias ao cristianismo, e por isso estão como os apóstolos, na barca, medrosos e achando que ela vai afundar.

Lego engano! “Hades” (termo grego), equivalente ao hebraico “Sheol”, é o império da morte ao qual Jesus, que é Deus, se refere e garante: “Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

Ninguém de nós deve ter medo.

Por: Diácono Lombardi

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