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sábado, 20 de abril de 2024

Artigos

As mãos vazias dos acumuladores

Quaresma, sabemos entre nós cristãos, é tempo de refletir no sentido da vida humana, embora a missão inalienável da Igreja seja anunciar a “boa notícia” também a todos os que não seguem Cristo. “E quem não está comigo, está contra mim”, Ele já disse… Ele, que é Deus! Ora, estar contra Cristo é estar contra Deus.

Em todos os séculos, desde os primórdios, paira nos ares sempre uma sensação de que o mundo está prestes a acabar. Agora, portanto, não é diferente. Essas ondas de calor que assolam o planeta, nos verões dos dois hemisférios, parecem nos prevenir de que o mundo vai mesmo terminar em fogo. Isso somado à degradação do planeta, por inúmeras ações criminosas contra o ecossistema, lembrando que diariamente produzimos oito bilhões de quilos de lixo, levam as pessoas a nos rotular de imediato como “profetas do apocalipse”. Mas não somos nós, ou a Igreja, a denunciar todas essas práticas, mas os cientistas e analistas do status quo do planeta.

Enquanto la nave va, os atuais acumuladores de bens e riquezas não estão nem aí. Crentes de que, enquanto aqui estão, precisam aproveitar a vida, porque depois morrerão e tudo acaba (!), não têm escrúpulos em se apropriar de tudo o que conseguirem, para desfrutar todos os prazeres que o dinheiro concede. E dão “uma banana” aos demais, que não são espertos e competentes para fazerem o mesmo. Em termos estatísticos, mais ou menos é assim: há 10 bananas para serem distribuídas igualitariamente a 10 pessoas. Na lógica da partilha cristã, querida por Deus, cada uma tem direito à sua. E vivem todos felizes. No entanto, 1 acumulador resolve se apropriar de 9 bananas. E aí sobra só 1 para ser partilhada para 9 pessoas, para as quais o destino é ficarem com fome, carentes, na pobreza.

Deus tem permitido que o joio continue misturado ao trigo, até à colheita, que acontece no túmulo. Ali, os acumuladores estão de mãos vazias, não conseguem levar com eles tudo o que conseguiram ajuntar na vida terrena. Tentaram “ganhar a vida”, mas a perderam. Nesse momento acontece a separação do joio do trigo, e como vemos em João, capítulo 5, vv. 28-29: “Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora, em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação”.

Por: Diácono Lombardi

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