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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Artigos

Aos mestres com carinho

Caros leitores,
Hoje saudamos com carinho aquele profissional dedicado, cujo reconhecimento é necessário. O seu trabalho incansável na escola, sua liderança em sala de aula, seu compromisso com o aprendizado se traduz em uma luz no caminho de todos nós: O PROFESSOR.
Em nossa história escolar tivemos ótimos mestres, que estão inseridos em nossa alma e memória, em um processo cognitivo que representou muito, base de nossa formação, pois éramos incultos até aquele momento, mas com muitos sonhos. As suas passagens representaram muito e ajudaram a iluminar o nosso caminho. Quase seis décadas se passaram, o longínquo tempo de nossa infância e adolescência, sempre com boas mensagens, o que nos traz muitas lembranças. Oh! Professores do primário, ginasial e colegial.
Iniciamos os estudos no Centro Educacional do Sesi nº 185, localizado na rua 20, esquina da avenida 27, no período da manhã, onde também funcionava, à noite, o Ginásio Francisco Barreto. No início de fevereiro de 1963, fomos recebidos no primeiro dia de aula pela jovem professora Eiloriete Fonseca, hoje Eiloriete Fonseca Pelizer. Foi ela que nos ensinou as primeiras letras. A primeira sala de aula foi no porão, que dava para a avenida 27. Tínhamos sete anos e o tio Roberto nos levou até a escola. Entre os anos de 1963 a 1967, ainda tivemos o privilégio de ser alunos dos seguintes professores: Adalgisa Betoni, Albília Tereza Falcão Melillo, Clara de Castro Leite, Ana Aparecida dos Santos, hoje Ana Aparecida Altimari. Foi ela quem, no dia 13 de dezembro de 1967, entregou-nos o diploma de conclusão do Curso Primário, no auditório da Rádio Piratininga. E não poderíamos deixar de citar a diretora Sônia Tedesco Betoni.
Em 1968, cursamos o ginasial, até 1971, depois o científico, até 1974, no Instituto de Educação Estadual ‘Mário Vieira Marcondes’, o glorioso Estadão. Naquela época sonhávamos ser engenheiro, profissão da moda, as cidades cresciam vertiginosamente. Tivemos, então, a sorte de ser alunos dos seguintes mestres: Maria Carolina Barbosa Ferreira (literatura); Ana Maria Zitti, João Carlos Soares de Oliveira e Genival Medeiros (português); Maria Helena Diniz Buch (francês e português); Avedis Adorian e Maria Alves Barcelos de Oliveira (matemática); Maria Cristina Rios Witzel e Lauro Kfouri (química); José Dias Alves de Toledo (física); Edgar Heitor Aví e Sidnei Boter Avi (ciências); Amânia Tomoda (biologia); Marley Machado e Cristino de Figueiredo e Maria Henriqueta Dias Alves Ferreira (desenho); Maria Aparecida Betoni – Doca (inglês); Rony Rosa Moreira (O.S.P.B); Geraldo de Paula e Miriam Possato (canto orfeônico); Júlio Roxo (educação física); José Augusto de Barros Filho (artes); Pe. Gabriel Correr (religião); e o nosso diretor Raul Alves Ferreira.
Cada um tinha a sua particularidade em sala de aula: o Avedis mostrou-nos que matemática não era um bicho de sete cabeças. Infelizmente morreu cedo, um infarto lhe ceifou a vida; o Toledo costumava chupar bala a aula toda, porém não atrapalhava a sua explicação na lousa; com a Doca, aprendemos a conjugar os verbos ‘To be e To have’; com o Edgar, frequentávamos o laboratório de ciências, assistíamos às projeções de documentários científicos; a Maria Carolina fazíamos viajar pela literatura brasileira e portuguesa; a Maria Helena nos deliciava com a sua pronúncia da língua francesa, fazendo o tradicional biquinho; o Genival, em sua explicação em figuras de linguagem, dizia: “os árabes são hiperbólicos, por exemplo, escreveram ‘As mil e uma noites’; Marley Machado nos ensinava a desenhar, hoje ela é nossa confreira na ABC; o diretor Raul, era enérgico, mas de bom coração. Certa vez preparamos uma homenagem ao Dia do Professor, exaltando a figura do Pe. Anchieta’, catequista e primeiro professor do Brasil, apresentada no pátio do Estadão. ‘Seo’ Raul pediu para que o professor nos desse nota 10; enfim uma hora/aula era pouco para esses mestres tão exigentes e de tanta sabedoria.
Em seu livro ‘O professor em construção’, de Maria da Gloria Pimentel, edição de 1993, editora Papirus, página 75, assim se expressa: “As concepções de conhecimento, ciência e ensino fazem parte da concepção de vida e mundo construídas pelos professores em sua trajetória”.
Parabéns, Mestres inesquecíveis!

 

 

 

José Antonio Merenda
Professor, escritor, historiador
e membro da ABC – Academia Barretense
de Cultura – Cad. nº 29

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