sexta-feira, 23 de outubro de 2020

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Amar a Casa Comum

O caminho percorrido pelos cristãos católicos e compartilhado por muitos homens e mulheres de boa vontade, em preparação a Páscoa, correspondente ao tempo quaresmal, tem como objetivo central mover-nos à atitude de conversão permanente, favorecendo que a vida de cada batizado e de todos os batizados configure-se, cada vez mais, a vida de Cristo, nosso Senhor e Salvador. Os principais exercícios espirituais propostos pela quaresma – oração, jejum e caridade – abarcam a totalidade da existência de cada pessoa e de toda a humanidade.
Nosso itinerário espiritual é inspirado pelo tema ‘O amor tudo transforma’. À medida em que permitimos a graça de Deus nos alcança, conduzindo-nos à compreensão, tanto pelas vias naturais quanto pelas vias espirituais, de que o amor está na origem e no termo de tudo. A dinâmica do amor envolve o ser humano desde sua origem-primeira, o coração amoroso de Deus, passando pela decisão livre-consciente-responsável de que deve amar a Deus acima de tudo; como consequência dessa relação descobre-se o homem capaz de amar a si próprio e necessitado de amar ao próximo.
O próximo, seja ele quem for é meu irmão, tão filho de Deus como eu, também necessitado de amor e capaz de amar. A dinâmica do amor preenche e ultrapassa as relações interpessoais, desembocando numa relação de amor para com e por tudo o que Deus criou e confiou a administração do homem. Nesse sentido ocupa espaço, possui valor, sentido e significado o termo ‘ecologia integral’ que, de maneira simples e objetiva, significa a harmonia e equilíbrio entre tudo o que existe, contrapondo-se ao domínio e exploração humana sobre as demais criaturas.
Ilustra-nos a compreensão a célebre passagem do Evangelho Segundo João, na qual Jesus devolve a vida à Lázaro (Jo 11, 1-45). O sinal relatado evidencia que Deus, o Senhor da vida, age através de Jesus, o Salvador, despertando os homens à fé. Diante daquela e de tantas outras realidades humanamente difíceis, Jesus responde amorosamente. Para, vai ao encontro, escuta, acolhe, conforta, ensina, chora e, contrariando as leis até então conhecidas, promove a vida, reanimando o morto e devolvendo-o aos seus.
O testemunho de Jesus move-nos a nutrir amor, de maneira concreta, para com toda a obra da criação. A violência imposta pelos humanos às demais criaturas, converte-se, cada vez mais, num enorme prejuízo, antes de tudo, à própria humanidade. Faz-se necessário, urgentemente, despertarmo-nos à consciência e assumirmos a responsabilidade pelo cuidado do planeta terra, compreendido como nossa casa comum, restabelecendo o respeito e equilíbrio original, que os autores bíblicos definiram como paraíso. Amemos a casa comum! Abençoada Semana Santa!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia [email protected]

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