Ir para o conteúdo

domingo, 23 de abril de 2017

Artigos

Aliança para a colheita

“E para vós olharei, e vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e confirmarei a minha aliança convosco. E comereis da colheita velha, há muito tempo guardada, e tirareis fora a velha por causa da nova” (Lv 26.9-10).
 
Há quanto tempo estamos comendo da colheita velha? Como colhemos? Sob a luz do sol forte, sob a luz da lua, entre o despertar e o alvorecer, com o suor que envolve o trabalho de colher? Há quanto tempo nossos joelhos tombaram em chão duro, agradecendo as águas que não faltaram? Há quanto tempo comemos da colheita velha, sem renovar os grãos que com o tempo se escoam pelo ralo do silo, por perder a umidade e secar tão rápido dos olhos que os clamaram? Tão benvindos em safras passadas… Há quanto tempo nosso silo não é verificado? Será que foi desenvolvido para armazenar com eficiência e segurança grãos de fé?
Colheita velha tem que ser comida antes que seu tempo chegue. Tempo de estar por muito guardada; correndo o risco de mofar, longe do fogo adorador… É que esquecemos de comer, de nos alimentar da velha colheita. Esquecemos que temos que plantar novamente, refazendo todo o processo; aprendendo e ensinando aos novos plantadores que a melhor fase é a da ceifa: “E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa” (Mc 4.29).
Há quanto tempo estamos vendo a nossa colheita parada, nossas terras por arar, nossas foices perdendo o fio, nossa vontade de semear terminando… Nossa alegria se esvaindo pelos grãos antigos, colhidos há muito tempo; muitos deles sem dar frutos, pois não foram lançadas as sementes… “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Quanto tempo levaremos para perceber que o grão da antiga colheita anseia por dar frutos novamente? “E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem” (Mc 4.8).
Tirai os grãos que foram armazenados por muito tempo dentro do seu coração, e os lancemos em boa terra, para que possamos comer da Nova Colheita: “Semelhantemente, tereis santa convocação no dia das primícias, quando oferecerdes oferta nova de alimentos ao Senhor” (Nm 28.26). Estejamos preparados para lançar as velhas sementes, para que novos frutos sejam ceifados; para colher no tempo certo e para armazenar de modo correto, esperando a próxima semeadura.
 
André Luiz Aparecido Canhos dos Santos (e.mail: projeto1restaurandovidas@gmail.com) é Pr. Missionário, Teólogo e Escritor.

Compartilhe: