quarta-feira, 28 de outubro de 2020

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Ah que saudade nos traz!

Quem não se recorda do tempo de criança, do passeio de trem de Barretos a Colina ou vice-versa, desse programa divertido e familiar que, não nos dávamos conta, mas pensando bem, hoje é poesia. Sábado de manhã, a garotada acompanhada do pai e avós, corria até a Estação para fazer aquela sonhada viagem de trem. Em algazarra, todos com sua passagem na mão subiam a escadinha que os levaria ao interior do trem. Tagarelando, rindo, assobiando, pulando, todos se acomodavam nos bancos. A procura maior era perto da janela e aí vinha o empurra-empurra…
Era uma sensação de liberdade sentar-se naquele banco estofado ao lado da janela e ouvir o apito de saída do trem, logo em seguida, um ‘chic chic’ e o movimento da partida… O vento batendo no rosto e a paisagem correndo ao contrário.
Que saudade nos traz esta lembrança!
Novamente no horizonte aparecia a cidade, o apito, agora, anunciava a chegada. Os mais brincalhões imitavam seu barulho. Havia aqueles que tapavam os ouvidos ou os olhos…
O trem parava e impacientes todos queriam descer. Era hora do picolé na plataforma e, simplesmente, brincando, aguardavam pelo trem da volta.
Essas viagens marcaram nossa infância sempre com muita alegria!
Tempo bom! Diriam alguns. Que saudade! Diriam outros…
A gente cresce, tudo muda, fica para trás… Mas ao ver um trem apitando e correndo em seus trilhos não há como não se lembrar da alegria dos nossos passeios! Ah que saudade nos traz!
Acompanhando a trajetória dos trens, percebemos que no Brasil ele não evoluiu muito. Se compararmos a evolução do automóvel com o trem, entendemos que realmente foi abandonado. Se confrontarmos nossa malha ferroviária com a europeia, sentimos uma tristeza interior. Onde estão nossas ferrovias? Nossas estações ferroviárias? Nossos trens? O que aconteceu? O destrato e também descaso com nossos transportes ferroviários deixou tudo sucateado. Que pena! Pouco a pouco o abandono aconteceu: itinerários cortados, estações demolidas ou abandonadas, locomotivas esquecidas num pátio qualquer. É pena!
Mas isso não aconteceu mundo afora! O europeu se beneficia do trem para qualquer trecho de viagem. Ele o tem como seu maior e melhor meio de transporte. A presença do trem na Europa é notória, a malha ferroviária por lá percorre desde as grandes cidades até as menores vilas. Bonitos, seguros e confortáveis, proporcionam praticidade e um prazer enorme ao utilizá-los.
No Brasil não temos esse privilegio, nossas autoridades governamentais não se preocuparam com o nosso grande patrimônio de transporte coletivo, que se tornou obsoleto…
E assim, no fundo do coração e da mente murmuramos: Ah que saudade nos traz!

Rosa Carneiro
Membro e Vice-Presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura. Ocupa a Cadeira 9.

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