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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Artigos

Adeus, Bié Machione!

Caros leitores,
No final da noite de 23 deste mês perdi meu amigo e Barretos deu adeus a seu filho Francisco Gabriel Junqueira Machione, o Bié Machione, que foi morar para sempre ao lado PAI. Faleceu aos 84 anos, após um longo período de doença, porém, sua obra permanece imortal.
Bié nasceu em Barretos a 21 de novembro de 1938. Era filho, como ele dizia, de italiano com uma mineira, ou seja, de Fortunato Machione e Iracema Junqueira Machione. Atualmente, era casado com Roseli Aparecida Tineli, com quem teve a filha Gabriela Franco Junqueira Machione e de casamento anterior, a filha Andrea Ghedini Junqueira Machione.
Em 1965, foi presidente de ‘Os Independentes’; em 1979, foi um dos fundadores da Associação Barretense de Folclore; em 1983, foi um dos fundadores da ABC – Academia Barretense de Cultura; foi membro da Comissão de Folclore na cidade de Olímpia, onde colaborava com trabalhos do anuário; entre outros.
Conheço Bié há muitos anos, aprendi a admirá-lo e respeitá-lo como ser humano, historiador/memorialista e exímio pesquisador que foi. Apaixonado pela sua terra natal, estudava e através de inúmeros trabalhos árduos de pesquisa, buscava as origens, formação e desenvolvimento político, econômico e social de nossa Barretos, mesmo antes de Francisco Barreto ter chegado à esta cercania. Com isso realizou trabalhos nas comarcas de Jaboticabal e Araraquara. Dedicava-se, ainda, ao estudo do folclore regional, chegando a lecionar ‘Folclore’, no Curso de Turismo da FEB, hoje UNIFEB e apresentou um programa na antiga TV Soares, na qual contava histórias e, abordava sobre o folclore desta ‘Chão Preto’; foi um colaborador ilustre da imprensa barretense.
Como escritor, Bié, publicou o livro de contos e crônicas “Entre minha Gente”, da Coleção Obras da ABC (1996); “Philogônio, o revolucionário esquecido” (2001), em que se aprofunda no Movimento Tenentista de 1924, que eclodiu em São Paulo e a relação da tomada da cidade de Barretos, em 1 de junho de 1925, por Philogônio Theodoro de Carvalho e seu grupo. Philogônio frequentava a nossa cidade desde 1910, como boiadeiro, depois passou a residir como invernista e comerciante. E, ainda, levantou a controvérsia de sua trágica morte. Ele conseguiu contato com seus netos, trazendo-os a Barretos, quando do lançamento do livro; é coautor do livro ‘Primeiros Povoadores e Fazendas’ com sua esposa Roseli, onde há um relato completo das fazendas que compunham o município de Barretos. Traz, também, alguns estudos genealógicos dos habitantes do arraial; em 2010, lançou a trilogia, que conta a história de Barretos, rica em detalhes: ‘Barretos: Povoamento, Aspectos Físicos, Economia, Educação, Cultura e Saúde’, parceria com Roseli Aparecida Tineli, eu, Guilherme Scavaccini Neto, e colaboração de Vera Sônia Abrão; ‘Barretos: Associações de Classe, Clubes Sociais, Transportes, Movimentos Militares, Justiça, Meios de Comunicação e Santos Milagreiros’, em parceria com Roseli Ap. Tineli; ‘Imigrantes, História Política e Festa do Peão de Barretos’, também em parceria com sua esposa.
Em 1976, no Teatro Cacilda Becker, em Barretos, durante o Festival de Folias de Reis, apresentado por Paulo Belmiro e Compadre Pioneiro, surgiu a ideia de se fazer um encontro de Companhia de Reis, que percorreriam as ruas da cidade no mês de janeiro e com atores interpretando os Reis Magos. Eu, Bié, Paulo Belmiro e Pioneiro sentamos para organizar o evento. Em 1977, saiu, portanto, a primeira Procissão de Santos Reis. Foi um sucesso entre os foliões e devotos. Naquela época os ‘Três Reis Magos’ eram interpretados por atores do TEBA – Teatro do Estudante de Barretos. Em 1979, foi introduzida a participação de ‘Maria e José’, a família sagrada. E lá estava Bié na noite de 24 de dezembro, na Missa do Galo, na Catedral do Divino Espírito Santo, por vários anos, esperando os atores do G.T.A.A.B. – Grupo Teatral “Amor à Arte de Barretos, eu e Júlia Helena Souto, receberem no altar das mãos do padre César Luzio Júnior a imagem do “Menino Jesus’, em uma cerimônia folclórico-religiosa, para ser conduzida até o Presépio armado na Praça Francisco Barreto, onde Companhias Reis, nos esperavam e a cantoria acontecia em louvor ao Deus Menino! Um espetáculo de muita emoção! Com o passar do tempo houve várias modificações na Procissão de Santos Reis, mas ela continua a cumprir o seu papel há 45 anos.
Descanse em paz, meu amigo Bié Machione!

 

 

 

José Antonio Merenda
Escritor, historiador e membro
da ABC – Academia Barretense
de Cultura – Cadeira nº 29

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