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Ação empreendedora e a criação de uma empresa familiar
Um aspecto fundamental no estudo do empreendedorismo é a oportunidade. Mas antes de ser vista apenas como algo externo à empresa ou ao empresário, pode ser vista como um processo criativo. Essa é a visão de Dimov (2007), que elabora esse processo criativo não limitando a consideração de um insight, mas um conjunto de idéias, que se desenvolvem em um processo de construção de possibilidades; essas idéias não seriam resultantes de uma única pessoa, mas, sobretudo, enquanto um conjunto de idéias de várias pessoas, marcadas por um contexto social que interfere na sua configuração enquanto oportunidade. Analisando a influência da família na formação empreendedora, Bohnenberger, Schimidt e Freitas (2007) identificaram as seguintes características próprias de um indivíduo empreendedor: autoeficácia, capacidade de assumir riscos calculados, ser planejador, que detecta oportunidades, persistente, sociável que apresenta inovação e liderança. Para os autores, a influência familiar é um fator de desenvolvimento da intenção empreendedora. Floriani (2008) considera que as empresas, incluídas as empresas familiares, nascem do sonho de alguém, levado pela intenção de realizar algo, de concretizar uma idéia. A partir desta premissa, Floriani conclui que as empresas nascem para atender a determinadas situações. Segundo o autor, um dos principais motivos é o atendimento de um sonho ou expectativa, caso típico de alguém, empregado por muitos anos, com muita experiência acumulada, conhecedor do ramo, que deseja abrir seu próprio negócio. Outro motivo é o atendimento de um desejo ou necessidade de um empresário já estabelecido, que fica em um impasse entre expandir, diversificando seu negócio, ou estagnar ou regredir. O impasse profissional, como, por exemplo, o indivíduo que ficou desempregado ou se aposentou, e busca a necessidade de uma nova ocupação ou renda, ou ambos, podendo ainda utilizar de uma indenização trabalhista para realizar o sonho de ter sua própria empresa, também podem motivar a criação de uma empresa. Floriani (2008) cita ainda: o atendimento a acordos trabalhistas, como contratos de consultorias, em que microempresas são criadas para atender, às vezes, a apenas um contrato e posteriormente, pode ser que a empresa acumule mais contratos; a utilização de um capital inesperado, quando o indivíduo recebe uma herança, ou ganha um recurso financeiro em jogos de azar e resolve investir em uma nova empresa; e para atender a um projeto planejado, estruturado e estudado criteriosamente, que é o caso menos comum, típico de um efetivo empresário e evidentemente com maior chance de sucesso. Essas diferentes perspectivas também estavam presentes em síntese relevante feita por Gartner (1985), abordando o fenômeno do empreendedorismo associado à criação de AÇÃO EMPREENDEDORA NA CRIAÇÃO DE EMPRESA FAMILIAR 7 Revista Inova Ação, Teresina, v. 2, n. 2, art. 1, p. 01-19, jul./dez. 2013 www4.fsanet.com.br/revista empresas sob uma perspectiva mais ampla, observando aspectos relativos ao indivíduo, organização, ambiente socioeconômico e processo. O autor sintetizou vários trabalhos anteriores e indica aspectos relativos a cada uma dessas vertentes do fenômeno. Em relação ao indivíduo, podem ser considerados: satisfação com o trabalho, experiências anteriores, pais que tenham sido ou não empreendedores, grau de educação. Outro aspecto considerado é o processo de criação da empresa, em que podem ser observadas as seguintes características: identificação de oportunidades, acumulação de recursos, identificação de mercado de produtos e serviços, produção destes produtos e serviços e criação de uma organização. Essas ações ocorreriam em um ambiente socioeconômico, que variaria segundo algumas características: disponibilidade de capital de investidores, presença de outros empreendedores experientes no setor, competências técnicas de mão de obra disponível, influência de governos, proximidade de universidades, disponibilidade de terra ou facilidades, possibilidades de transporte, atitude da população local, disponibilidade de serviços de suporte, condições de vida. O quarto aspecto seria a própria organização criada, considerando o tipo de negócio, o grau de tecnologia, a presença ou não de sócios, os tipos de estratégia
André Luiz Bastos: Licenciado em Educação Física UNESP Bauru, Licenciado em Filosofia pela Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina, Mestre em Educação pela UNFRAN – Franca SP, Doutor em Ciências da Educação pela UNCUYO – Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina e Pós-Doutorado pela UNREF – Universidade Tres Febrero Buenes Aires– Argentina. Professor nos cursos da Faculdade Barretos. Prof.andrebastos@hotmail.com.