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sábado, 15 de junho de 2024

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Abrir os olhos e diminuir os abismos!

No evangelho encontramos a história de um homem muito rico, sem nome, e um homem muito pobre, de nome Lázaro (cf. Lc 16,19-31). Para matar a fome, Lázaro esperava algumas migalhas caírem da mesa do rico, que nunca nem sequer viu o pobre. Ele estava muito preocupado com outras coisas! Os dois, embora com diferenças abissais em vida, dividem o mesmo destino: a morte, acontecimento no qual todas as diferenças somem! Na morada eterna, Lázaro foi acolhido e o rico padeceu em meio às chamas e ao sofrimento.
A parábola não faz julgamento moral sobre a riqueza ou sobre a pobreza. O sofrimento do rico não foi porque ele era rico e a acolhida de Lázaro não foi porque ele era pobre. O que está em jogo é o abismo da separação, é a escolha pelo egoísmo, pela distância, pelo fechamento que contradiz a natureza da criação humana. O profeta Amós já havia feito uma enorme denúncia das injustiças sociais com a ostentação de poucos em detrimento da miséria de muitos.
Jesus não contou a parábola para dizer como será a eternidade, na perspectiva única da salvação, mas para afirmar uma forma de viver agora, superando as divisões e estabelecendo relações e proximidade.
O julgamento final é a continuidade das nossas escolhas! O rico se deu conta das suas opções quando o evangelho narra esse gesto: “levantou os olhos”. O homem rico só tinha olhos na direção da sua riqueza e era cego para alcançar Lázaro; só via a si mesmo, seus problemas e sua mesa cheia.
Para a tradição bíblica, quando ajudamos alguém não estamos fazendo um favor. Para a teologia da criação, tudo é de Deus, e se um irmão ou uma irmã está sem nada é porque existe o pecado grave da falta de partilha. O papel da esmola, por exemplo, era garantir o direito dos pobres e abrir um caminho de construção da justiça e da salvação.
Para nós que ainda temos tempo, o evangelho é objetivo: diminuir as distâncias e construir relações saudáveis são caminhos para retomar o plano de Deus na criação.

 

 

(Por: Pe. Maicom A. Malacarne, Erechim – RS)

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