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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Abrir-nos aos vastos horizontes de Deus

Uma das maiores tendências do ser humano é a presunção de submeter tudo a seu mais absoluto controle e outorgar a si mesmo o fardo da máxima responsabilidade pelos rumos que a vida tomará. É bom que seja assim, denota protagonismo e autonomia, próprios de quem não está no mundo a passeio, mas luta e acredita em um propósito, um ideal de vida a ser conquistado. No entanto, na medida em que isto se intensifica pode não ser saudável, pois, ninguém é suficientemente forte para assumir sozinho o desenrolar da trama da vida. Aqui entra o papel fundamental da fé e da espiritualidade que nos resgata de nossa autoreferencialidade e nos lança em direção ao infinito de possibilidades e surpresas que a vida com Deus proporciona. Fora disso, nos tornamos, muitas vezes, escravos dos estereótipos de felicidade e perfeição apontados, erroneamente, pela sociedade, em base ao sucesso, a riqueza ou outras futilidades que não garantem a verdadeira realização.
Infelizmente, está cada vez mais comum nos depararmos com pessoas, muitas das quais ainda jovens, entristecidas e porque não dizer, deprimidas, por não se encaixar nos padrões estabelecidos ou corresponder com as exigências estéticas, de classe social, ciclo de amizades ou qualquer outra coisa do gênero. Empobrecidas por uma deficiente noção de existência acabam por submeter-se a medicamentos antidepressivos, tratamentos invasivos que, na maioria das vezes, aplacam os sintomas, mas não saram as causas. Ao passo que, quando nos abrimos ao Transcendente, ao Absoluto que é Deus e O compreendemos como um Ser Supremo, uma força criadora e motora do mundo e de nossas vidas, passamos a nos projetar, não apenas em base aos nossos desejos pessoais, mas dentro da perspectiva do sonho de Deus para nós. Desenvolvemos a sensibilidade de ler e enxergar os rabiscos de Deus na nossa história e perceber que, aquilo que muitas vezes, parecem descaminhos aos nossos olhos, são na verdade, parte do todo que é o plano de Deus para nós. Aí somos capazes de nos abrir aos vastos horizontes de Deus sem o peso de nos cobrar, demasiadamente, pelos nossos sucessos ou insucessos, mas corresponder diariamente ao sopro de Deus nos ouvidos daqueles que se deixam conduzir pelo Espírito Santo.
Não se trata de terceirizar nossas decisões, nem tão pouco de perder a liberdade de escolha e decisões, mas, ao contrário, compreender que nossas escolhas e decisões podem contemplar o sonho d’Aquele que nos criou por amor e deseja sempre o melhor para nós; d’Aquele que conhece todos os caminhos e deseja nos conduzir para o bem, para o amor, para a paz e para a verdadeira felicidade. Abramo-nos a estes vastos horizontes que Deus nos dispõe e nos aventuremos na beleza que é se descobrir amado pelo Amor Maior.
Diácono Fernando Felix Rabelo
Diocese de Barretos

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