Artigos
A visão como capacidade de transcender, ir além…
Os olhos são os instrumentos que utilizamos para exercer a capacidade de enxergar algo; vale dizer: ver, olhar. Não importa se os olhos são azuis ou castanhos, mas importa a sua capacidade de agir de acordo com a sua natureza funcional em captar imagens.
Entretanto, a visão é um conceito metafórico que ultrapassa os limites físicos do globo ocular e sua função instrumental. Por meio da “luz da razão” humana se é capaz de enxergar de outros modos. De transcender a mera imagem capturada pelos olhos e chegar ao conhecimento de outras realidades que ultrapassam os limites sensoriais da mera imagem que os olhos enxergaram. É por isso, que de modo metafórico, se diz da capacidade de enxergar com o “coração” ou com a “razão”. Trata-se da capacidade de ver além daquilo o que é palpável ou objetivável. Isto é, transcender: ir além, ultrapassar certos limites da visão e alcançar novos e mais amplos horizontes da visão.
É por isso que entre os cristãos se fala da fé como visão, no sentido que só enxerga os conteúdos da fé quem a tem. Quem não a tem, permanece na cegueira ou limite de uma visão curta, limita à visão de uma razão que só enxerga o palpável ou o meramente “racionalista”, uma vez que a “visão da fé” vai muito mais além que a “visão da razão”. Embora que, aquela seja acompanhada desta, a razão sem a fé não alcançaria os longínquos horizontes que a fé é capaz de alcançar mesmo com a razão. Não que a razão não veja os conteúdos da fé. Também por meio desta se chega a Deus. É que a fé, acompanhada da razão, vê mais e melhor.
Em todo caso, enxergar vai muito mais além do que um simples olhar. É ver em profundidade. É chegar ao conhecimento de outras realidades. É buscar compreender-se a partir dos várias visões que nos afetam. Por isso, olhos abertos fazem ver, bem como um coração e uma mente aberta, capaz de acolher o dom da fé.
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma