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domingo, 13 de outubro de 2013

Artigos

A VERDADE DE CADA UM

Bom Dia Barretos. 
O que é a verdade? Pode existir mais de uma verdade? Não, claro que não, logo dirão todos. Segundo o “Aurélio” verdade é o que está em conformidade com o real, exatidão, realidade. Também se pode dizer que envolve franqueza, sinceridade.
O que nós vemos no dia a dia são as várias versões de uma única verdade. A verdade absoluta pertence a DEUS, único a conhecer em profundidade nossos pensamentos e nossas intenções. Mas, lamentavelmente o ser humano busca como verdade a sua verdade, ou melhor, a versão que melhor lhe aprouver, ou seja, a verdade de cada um. Daí o perigo de julgar as pessoas pela aparência ou pelas versões que adversários, inimigos, desafetos plantam aberta ou sorrateiramente. 
Também os aproveitadores da boa fé, os trapaceiros, os vigaristas, acabam por iludir suas presas contando suas falsas verdades, isto é, suas mentiras embaladas por gestos e palavras, que acabam iludindo suas presas, que as recebem como se verdadeiras fossem. Até dirigentes, prefeitos, governadores, presidentes ou membros dos outros poderes, acabam muitas vezes enganados por assessores e pessoas que gravitam em seu redor, vendendo versões ou manipulando fatos, para que se pareçam verdadeiros, em busca de vantagens, de vingança, ou de pagas indevidas. Isso, para não falar daqueles que endeusados, no poder e pelo poder, preferem ouvir como verdade a mentira elogiosa que a verdade cruel. 
Tome-se como exemplo o caso de Tamerlão, o coxo, poderoso rei assírio do século XIII, que era muito cheio de si e cônscio das deferências de que se julgava credor por parte de seus súditos. Ele tinha uma particularidade física notável: além do problema de nascença em uma perna – por isso o apelido de coxo – ele tinha um grande e monstruoso nariz, o que muito o aborrecia, razão pela qual jamais se deixou retratar. Já idoso, seu filho e sucessor, preocupado com a possível ausência da figura do pai na galeria real, com muito custo, conseguiu sua anuência para retratá-lo. 
O monarca, entretanto impôs uma ressalva, que o artista o pintasse a contento, e quem tripudiasse sua imagem fosse executado na forca. Aceita a condição, editais foram espalhados por todo o reino, convocando os artistas para a importante e perigosa tarefa. Apesar dos riscos três artistas, os três melhores da arte pictórica do reino, em busca da polpuda recompensa e de fama se apresentaram ao tresloucado. O primeiro retratou o rei tal e qual, com o narigão enorme. O monarca vendo o quadro acabado, embora admirando o gênio artístico, enfureceu-se e mandou enforcar o infeliz artista. Veio o segundo e, temeroso, pintou o rei fielmente, com exceção do aberrante nariz, em cujo lugar colocou irrepreensível narizinho. O soberano, sentindo-se ridicularizado, assinou também a sua pena capital. Chegou a vez do terceiro, o qual, habilidoso, conhecendo a paixão do rei pela caça, retratou-o portando um arco, a atirar numa raposa, com o antebraço na arma a tapar-lhe justamente o nariz. Vendo o resultado do trabalho, o monarca sorriu satisfeito e recompensou-o generosamente. 
Conclusão: O primeiro retratou o rei com franqueza expondo a realidade dos fatos e, pelo crime de ser verdadeiro, pagou com sua vida. O segundo mostrou hipocrisia interesseira e também teve o mesmo pagamento. O terceiro demonstrou engenhosidade para distorcer os fatos, a fim de agradar aquele que desejava atender, e foi regiamente recompensado. Moral da história: O honesto em sua passagem pela terra sempre paga um preço muito alto pela sua postura enquanto aqueles que buscam apenas bajular acabam por receber benesses indevidas. 
Bem meus irmãos, a pergunta que não quer se calar é: Vale a pena ser verdadeiro, ser honesto, ser justo? Sim, vale a pena, digo eu, mesmo que isso nos traga dissabores momentâneos. A nossa paz de consciência bem como a nossa tranquilidade interior não têm preço, e só DEUS e nós mesmo, é que sabemos o que é, e o que não é verdade de fato.
BOM DIA BARRETOS. 

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