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segunda-feira, 08 de março de 2021

Artigos

A vacinação e a devida transparência

Num país que padece de corrupção crônica, seria de se esperar (infelizmente) que as regras de vacinação contra o SARS-Cov2 (COVID) viessem a ser aviltadas, como já está acontecendo. É lamentável que se tenha a coragem de praticar esse erro inaceitável num campo tão sensível e delicado.
Na defesa de colegas médicos que seriam prioritários a receberem as primeiras doses, busquei cobrar isso de profissionais ligados à gestão e o interessante é que não se encontra o “pai da criança” como que a fugir da medida (cumprimento) que é lógica, definida por regras, meritória e humanística para uma classe (médica) que luta de frente contra o mal. E com o reconhecimento do mundo todo…
Até ontem, por exemplo, um colega de linha de frente, idade de risco, que foi “usado” como braço de pesquisa, ainda não tinha sido notificado da sua condição dentro do estudo: se foi do grupo testado (da vacina) ou era do grupo placebo. Como se sabe, as “cegas” são quanto à sua condição. A inépcia do gestor não poderia chegar ao ponto de deixar um “placebo” (voluntarioso) desprotegido pela vacina.
Esse é um pequeno exemplo, significando grave desorganização, quando não de irresponsabilidade de estarem fugindo das regras das prioridades estabelecidas.
É urgente que se coloque transparência no uso das vacinas. Seria o caso de se publicar (em listagens) quais as pessoas que receberam a vacina e a referência da prioridade (idade por ex.) que, no momento, inclui agentes de saúde: médicos, enfermagem e atendentes, serviçais afeitos ao carreamento de pacientes.
Até porque, se não publicarem é possível estarem escondendo atitudes incorretas, ilegais e, por fim, injustas ou disso serem acusadas justa ou indevidamente.
Prefeitura Municipal precisa estar livre para agir, mormente, quando entregou a gestão da saúde a quem habitualmente não presta conta de recursos recebidos e usados. Daí, fugir dessa “prestação de contas” sobre vacinas é “daqui p’ra ali”.
As notícias nacionais de desvios desses propósitos já vão se avolumando. Se por aqui não se presta tais contas, dá-se o direito da cobrança da medida correta ou da manifestação de transparência do ato de governo, hoje afetando a vida de toda a comunidade, senão do mundo inteiro.
Em tempo: ainda não fui vacinado. Estou me valendo das medidas preventivas e drogas de proteção e eventual tratamento precoce que, aliás, milhares de municípios já praticam há tempo. Eu acredito nisso e a observação científica vem evidenciando cada vez mais. Leia-se: hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida.
Por aqui, em nossa Barretos, esse protocolo não tem sido ofertado pelo poder publico (apesar do enorme volume de recursos financeiros dos Governos). E, às vezes, sonegado, quem sabe, a justificar a faixa vermelha do plano São Paulo?
A reclamação não se pauta por mim…fico a esperar. Porém, com a certeza de que não se esteja praticando o “horrível fura-filas”, havendo colegas que ainda não a tomaram, expostos ao risco maior, pelas suas arriscadas atividades.
Fica o alerta à prefeita. “Esteja livre” para as decisões, porque a culpa certamente cairá sobre seus ombros, como soe acontecer, que é a autoridade maior. Não se deixe levar por influência do seu bastidor, sobejamente já conhecido, com o costume de ficar somente com a vantagem.
E, por fim, recebendo a notícia que S J Rio Preto já providenciou a vacinação de toda a classe médica e demais agentes de saúde. E por aqui…fotos e mais fotos.

*Dr. Fauze José Daher
Médico e Gastrocirurgião (Santa Casa e Hospital
São Jorge) e Advogado

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