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A última bolacha do pacote
Nossa maneira de nos posicionarmos no mundo e diante das pessoas diz muito a respeito daquilo que somos e queremos ser. Nem vida nem mundo estão predeterminados. Há algo pronto e mutável, mas há muito ainda que fazer. Por isso, nossa maneira de ser e agir no mundo contribui tanto para um aprimoramento da realidade quanto para o detrimento da mesma, tanto para nossa felicidade e dos outros quanto para infelicidade.
Quando alguém acha que se basta e não precisa dos outros é costume dizer entre os jovens que tal pessoa “se acha a última bolacha do pacote”; ou que é a “última Coca-Cola do deserto”. Em termos mais objetivos, poderíamos dizer que seja autossuficiente, arrogante, prepotente.
Posicionar-se no mundo e diante das pessoas considerando-se melhor que elas, olhando-as de cima e menosprezando-as, parece não ser o melhor caminho para construção da felicidade. Não só porque a autossuficiência pode reservar severas armadilhas psicopatológicas, não só porque a ilusão de sermos superiores pode nos levar aos piores tombos da vida, mas porque a fé cristã ensina também que todo ser humano tem o mesmo valor, que somos iguais, que não precisamos diminuir os outros para crescer em cima deles.
Diminuir os outros, denegrindo-os, menosprezando-os, pode ser sinal de um poderoso sentimento de inferioridade revelando que a pessoa precisa ser cuidada. O que nos torna grandes é a capacidade de amar. O que nos faz crescer e nos torna diferenciados é a capacidade de valorizar e ressaltar o que as pessoas têm de bom, sendo misericordiosos com aquilo que nelas ainda precisa ser aprimorado. Cuidar e deixar-se cuidar, amar e deixar-se amar, é sinal de que sabemos que somos iguais. Além disso, mostra que estamos em paz conosco mesmos e de que a felicidade está fazendo morada no coração.
Emerson Manoel da Silva
Padre, psicólogo, pós-graduando em terapia de casal e família