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sábado, 20 de abril de 2024

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A ressurreição de Cristo é a garantia de nossa ressurreição

A primeira pregação dos Apóstolos recordava que “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3-4). Marcos sublinhou a morte real do Senhor e recolhe agora a verdade da ressurreição: “Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui.” (16,6), disse o jovem às mulheres admiradas.

A ressurreição gloriosa de Jesus é o mistério central da nossa fé – “Se Cristo não ressuscitou, inútil é a nossa pregação, inútil é a vossa fé” (1Cor 15,14) – e fundamento de nossa esperança (1Cor 15,20-22). A ressurreição supõe o triunfo de Jesus sobre a morte, o pecado, a dor e o poder do diabo. Certamente, como afirma Santo Agostinho, “em nenhum ponto da fé cristã encontra mais contradição que na ressurreição da carne”. Sem dúvida, esta mesma fé confessa que “Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Olhai minhas mãos e meus pés; sou eu mesmo” (Lc 24,39); entretanto ele não voltou à sua vida terrena. Do mesmo modo, nele “todos ressuscitarão com seu próprio corpo que tem agora”, mas este corpo será “transfigurado em corpo de glória (Fl 3,21), em “corpo espiritual” (1Cor 15,44).

O anúncio do jovem do sepulcro contém algo mais; há nele umas indicações que condensam o que será a vida da Igreja nascente: os discípulos, e especialmente Pedro, devem ser testemunhas da ressurreição e de seu significado. Essa missão começa na Galileia. A região que, na vida terra de Cristo, era o lugar de encruzilhada entre judeus e pagãos, se converte agora em sinal da missão universal da Igreja.

Desde os primeiros tempos da Igreja, este primeiro dia depois do sábado é chamado dia do Senhor, porque “Depois da tristeza do sábado, resplandece um dia feliz, o primeiro entre todos, … já que nele se realiza o triunfo de Cristo ressuscitado” (S. Jerônimo). Por isso, “os cristãos, percebendo a originalidade do tempo novo e definitivo inaugurado por Cristo, assumiram como festivo o primeiro dia depois do sábado, porque nele teve lugar a ressurreição do Senhor. Com efeito, o mistério pascal de Cristo é a revelação plena do mistério das origens, o vértice da história da salvação e a antecipação do fim escatológico do mundo. O que Deus realizou na criação e o que fez por seu povo no Êxodo encontrou na morte e ressurreição de Cristo o seu cumprimento” (S. João Paulo II).

Celebremos com alegria a vitória de Cristo ressuscitado. Sua ressurreição é garantia da nossa ressurreição. Ela atesta que a vida é mais forte do que a morte, e o amor é mais forte do que todo mal. Deixemo-nos invadir pelo anúncio da ressurreição de Jesus na manhã do primeiro dia da semana. A cada semana, no domingo, fazemos a experiência da alegria de encontrar Cristo ressuscitado, que nos reúne ao redor da sua mesa e se faz o nosso alimento.

É Páscoa! O Senhor passou da morte para a vida, e garantiu-nos a eternidade feliz! Confessemos e não neguemos: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia! Aleluia! O Senhor ressuscitou!”

 

Por: Dom Milton Kenan Jr

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