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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

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A relação de Jesus com as mulheres de seu tempo

Para entender a relação que Jesus tinha com as mulheres de seu tempo, é preciso entender um pouco do contexto social judaico e como o povo judeu entendia o valor da mulher na sociedade. Infelizmente, se considerarmos os avanços sociais do século XXI, as mulheres do tempo de Jesus eram desvalorizadas, tratadas quase sempre como mercadorias de troca pelos pais e criadas unicamente para conseguir um casamento e cuidar das tarefas domésticas. (…) Não são poucas as passagens bíblicas, sobretudo no Antigo Testamento, que demonstram a fragilidade social das mulheres. (…)
Dito isso, olhemos agora para Jesus e entendamos que, também no que tange ao valor das mulheres e do cuidado que elas merecem, ele deu um salto excepcional e ousado. Jesus traz a mulher para o centro de suas reflexões sobre o Reino de Deus, retoma o valor do ser humano independente de sua sexualidade e mostra que, para Deus, todos somos igualmente importantes. Algumas passagens dos Evangelhos mostram a ousadia de Jesus em relação às mulheres. Por exemplo, sua conversa com a samaritana na beira do poço de Jacó (Jo 4,1-15).
Nessa cena, Jesus “quebra” vários preconceitos: – Conversa com uma mulher em público, o que era mal visto na época; – A mulher é samaritana e ele judeu, o que torna o diálogo ainda mais incomum, pois judeus e samaritanos tinham sérias divergências; – Discute com uma mulher assuntos religiosos, coisa que era reservada somente aos homens na sinagoga.
Em outra passagem importante dos evangelhos, Jesus não permite que homens agressores apedrejem Maria Madalena (Jo 8,1-10). Acusadas de adultério, somente as mulheres eram dadas à condenação pública. No fundo, Jesus está perguntando: “Existe adultério sem que haja também uma figura masculina envolvida no fato? Por que a Lei somente culpa as mulheres?”
Resumindo, Jesus restaura a dignidade da mulher, conduz ao centro os excluídos e desarma os costumes que produzem morte ao invés de vida. Caberia a nós, cristãos, perguntarmo-nos se, em nossas comunidades, agimos como Jesus ou se delegamos às mulheres o segundo plano de nossas ações pastorais.

 

 

(Por: Pe. Osvaldo César de Souza, C.Ss.R. – Jornal Santuário,2021)

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