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segunda-feira, 20 de maio de 2024

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A PRESENÇA DO PAPA NA COP-28 EM DUBAI

Causou grande e boa surpresa a decisão do Papa Francisco de participar da Conferência das Partes (COP-28), nos Emirados Árabes nos dias 1 a 3 de dezembro próximo.
O Papa está realmente preocupado com a situação do planeta diante da crise climática global que avança, apesar dos apelos da comunidade científica que alerta para um ponto de ruptura, ou seja, a impossibilidade de salvar o planeta das consequências do aquecimento global.
Em 2015, o Papa Francisco publicou a Carta Encíclica Laudato Si, demonstrando a necessidade urgente de “mudança de estilos, de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento, ou pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam” (LS 23).
Diante do agravamento da situação em que nos encontramos, o Papa publicou no dia quatro de outubro último, na festa de São Francisco de Assis, a Exortação Apostólica dirigida a todas as pessoas de boa vontade sobre a crise climática, intitulada Laudate Deum, chamando a atenção para “a diminuição das calotas glaciares, as alterações nos fluxos oceânicos, o desmatamento das florestas pluviais tropicais, o degelo do permafrost da Rússia” ( LD n.17).
O Papa diz que o paradigma tecnocrático está na raiz do processo de degradação do planeta. Este paradigma parte do pressuposto que a tecnologia e a economia são as responsáveis por criar um ser humano sem limites, cujas capacidades e possibilidades poderiam alcançar o infinito graças à tecnologia (cf. LD n.20).
Por isso, “a lógica do máximo lucro ao menor custo, disfarçada de racionalidade, progresso e promessas ilusórias, torna impossível qualquer preocupação sincera com a Casa Comum e qualquer cuidado pela promoção dos descartados da sociedade” (LD 30).
Repassando os compromissos assumidos desde a Conferência do Rio de Janeiro (1992), o Papa diz que “os acordos tiveram um baixo nível de implementação, porque não se estabeleceram adequados mecanismos de controle, revisão periódica e sanção das violações” (LS n. 167).
Agora, porém, diante de uma nova Conferência das Partes (COP-28), Francisco escreve dizendo que “se temos confiança na capacidade de o ser humano transcender os seus pequenos interesses e pensar grande, não podemos renunciar ao sonho de que a COP-28 leve a uma decidida aceleração da transição energética, com compromissos eficazes que possam ser monitorados de forma permanente” (LD n. 53).
A presença do Santo Padre em Dubai será uma demonstração efetiva do seu interesse e compromisso em contribuir para que decisões importantes sejam tomadas para “evitar danos mais dramáticos” (LD n. 16). Cabe a nós católicos acompanharmos o Papa com a nossa oração e, na nossa ação evangelizadora individual e comunitária, demonstrarmos um maior interesse na conservação da Casa Comum, para que as futuras gerações tenham o privilégio que temos de viver num planeta azul, bonito por natureza.

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