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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

A partida de Jesus

Toda partida é um parto e todo parto dói. Mas de todo parto, finalmente, espera-se a vida.
O contexto do Evangelho deste 5º Domingo da Páscoa tem que ver com isto: partir. Jesus está reunido com os apóstolos na última ceia e ali aproveita para falar-lhes de assuntos importantes, entre os quais a instrução de que o seu tempo neste mundo se abrevia e ele terá de voltar para o Pai (Jo 13,31-33).
A declaração deixa os discípulos desconcertados, tristes e desanimados, porque consideram tais palavras como o fim de tudo. Embora o Mestre tenha ensinado tantas vezes sobre a realidade do Reino de Deus e ministrado a lição do lava-pés, eles persistem em ideais triunfalistas, daí a atmosfera tensa.
Percebendo a agitação que instalara, Jesus insiste para que seus seguidores ampliem a visão sobre a vida e sobre as coisas e, desse modo, superem a tristeza e o apego ao meramente passageiro. Ele é transparente com os apóstolos e deixa claro que, apesar de tudo que vai ocorrer – traição, negação e cruz -, o amor jamais acabará. Para poderem assimilar tal ensinamento, porém, eles precisam estar unidos a Jesus, caminho, verdade e vida: “Não fiqueis perturbados. Crede em Deus e crede em mim” (Jo 14,1).
À semelhança dos apóstolos, nós também temos dificuldade de lidar com o fim. O fim, aqui, é entendido como qualquer realidade que nos envolve e a qual precisamos deixar – sendo sua maior expressão a inevitabilidade da morte, o fim definitivo. Só podemos responder à finitude e enfrentá-la a contento mediante a alegria viva das relações, que a transforma em outra coisa. Não é tarefa fácil! Daí decorre a importância de a comunidade caminhar unida ao Ressuscitado.
Entre um parto e outro, seguimos a travessia. Percorremos caminhos de sofrimento, tensões sociais, políticas e, sobretudo, existenciais. Nessa travessia, preparamo-nos para a Jerusalém celeste, nossa pátria definitiva.
O Espírito Santo, que delicadamente conduz a história, nos impulsione, como comunidade eclesial, a viver a alegria, a verdade, a justiça e a paz.

 

(Por: Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito,ssp)

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