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A nova Medicina e a conjuntura de formação de novos médicos
No Brasil de 40 anos atrás, existiam 36 faculdades de Medicina em todo o País. A irresponsabilidade de Governos, desde o tempo de Fernando Henrique Cardoso, Lula (o campeão) e Dilma (mal intencionados), elevaram o número de faculdades de Medicina para mais de 340 escolas médicas. Contra esse desastre, existiu a lucidez, visão e luta (em contrário) de um eminente cirurgião de coração, de nível internacional, Prof. Dr. Adib Jatene.
A tese mal intencionada desses presidentes citados era a de que transformariam o médico brasileiro num típico “sal de cozinha”, por infeliz analogia pelo fato de serem branquinhos (pela roupa, claro), baratos e encontráveis em qualquer esquina, após pouco tempo de funcionamento dessas pseudo-escolas.
Para comparar e avaliar, saiba que os EE.UU da América com 50% de população mais que o Brasil tem algo em torno de 170 faculdades de Medicina; a China com 1,2 bilhões de habitantes, tem em torno de 370 faculdades de Medicina.
Soma-se a isso a imbecilidade de tentar lutar agora (asseclas desses ex governantes), mantendo lobbies políticos para tentar permitir que médicos formados deficientemente, em republiquetas da América do Sul e sem exame de qualificação, sejam automaticamente cuidadores da saúde de gente inocente e desinformada da grande população brasileira.
Quando afirmamos isso é exatamente porque o CREMESP (e não nós aqui), anos seguidos atrás, encontraram um índice de mais de 50 por cento de colegas sem o mínimo preparo para atender condições básicas do exercício da medicina.
Isso justifica adjetivação de verdadeiros imbecis, a esses governantes anteriores, enganadores do povo e de futuros profissionais. E reconheça-se, de forma louvável, o esforço atual governo em tentar conter essa barbaridade perigosa junto à inocente população.
Juntou-se a vontade de se ter uma “indústria de profissionais”, gananciosa e voluptuosa, sem pensar nas gravíssimas consequências. Primeiro, exposição da população a riscos de danos e da vida, frente ao exercício incompetente ou insuficiente dessa sagrada missão; na sua frente, jovens profissionais sem sequer ter a noção de SABER TUDO O QUE NÃO SABEM sobre o exercício de uma medicina atualizada, muitas vezes, sonhada porém, deformada por culpa de irresponsáveis governantes.
Com tristeza, vejo-me na posição de apontar uma verdade, consternado pela realidade de colegas que não sabem o que terão pela frente, já exercendo ou vindo a exercer suas carreiras. Movidos por um ideal, um desejo de família e, com boa intenção, ascender a uma profissão dignificante e ao mesmo tempo recompensadora materialmente, inclusive movidos por precipitação e visível despreparo.
Num conjunto enorme de razões de preocupação:
– gerações de perfis diferentes, com gerações que se estabelecem a cada 20 anos ou menos, sendo essa última prevista (a geração Z) como não tendo afeição a qualquer missão de carreira e sendo a medicina essencialmente carreirista;
– formados sob altos custos, esperançosos e expectantes de um retorno compatível, sendo que as escolas médicas não têm um Corpo Docente em número e qualidade necessários para dar a mínima formação; iludidos profundamente por um sonho e explorados pela sanha dos donos de faculdades; consequência lógica do absurdo número de faculdades por habitantes;
– jovens que ficam privados de ganhar o perfil médico-raiz e disponíveis para serem explorados por gestores públicos ou privados, de olho na folha de pagamentos economizada sob valores ao nível do tal “sal de cozinha”, mesmo que custe o prejuízo ao cidadão; mais ainda, legislando corporativamente, para isentá-los da responsabilidade pelo dano, sejam corporações públicas ou privadas prestadoras do atendimento.
Apontando resumidamente as falhas diagnosticadas: inépcia das entidades representantes da classe, dentre as quais, os Conselhos Regionais de Medicina, dos quais se cobra atitudes, ressalvando-se o esforço do Conselho Federal de Medicina;
Do Ministério da Educação e Cultura, relativo a escandalosa permissão de abertura de escolas médicas, que tenha a coragem de mandar fechar todas (70 por cento) que não tenham razão de existir.
Das instituições de atendimento, públicas e privadas, que passem a exigir médicos contratados com especialidades legítimas ou no mínimo com 5 anos de Residência Médica, em serviços verdadeiramente qualificados para tal.
Da população em geral, que passem a exigir serem atendidos por profissionais com mais de 5 anos de Residência Médica.
Talvez seja essa a providência mais necessária e eficaz de correção dos rumos da qualidade da Medicina a ser praticada ou oferecida. Porque, sem isso já é difícil se escapar das possibilidades negativas de uma doença grave, de uma fatalidade ou da falta de recurso possível pela boa Medicina. Porém, a não oferta do mínimo necessário ou do tudo possível, somar-se a imperícia, negligência ou imprudência hoje já é bem perceptível pela própria população, como já sacrificou muitas vidas.
E ela (população) tem o dever e obrigação de cobrar, até para o próprio bem.
Se mal interpretado possa ser por colegas de profissão ou de outras atividades, fica registrado norma prevista no Código de Ética Médica, ser dever do médico, quando descobrir, denunciar falhas que denotam prejuízo à classe e resultem dano ao cidadão atendido. Pode ser um grão de areia num deserto, mas um deserto certa hora poderá se revolver do estranho silêncio.
Aos tempos passados, sabia-se da seguinte equação: 90 por cento dos médicos eram bem formados cm alta qualidade, como é (era) típico do médico brasileiro. Os outros 10 por cento faziam um mínimo necessário e tinham a responsabilidade de pedir socorros aos mais bem formados.
Hoje a equação certamente é inversa: 20 por cento tem perfil de medico-raiz, 80 por cento não têm esse perfil e, pior, sem ter a quem chamar para acudir numa decisão difícil da Medicina.
Espera-se que as instâncias fiscalizadoras tomem providência disso, que já conhecem e diante o que permanecem estranhamente inertes. A população não pode pagar esse preço.
É como entendo, assim como milhares de colegas estão preocupados.
Dr. Fauze jose Daher
Gastro Cirurgião e Endoscopista, Ex Diretor da Santa Casa de Barretos, Ex Vereador Constituite de Barretos
Mestre em Ciências
Advogado.