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A Medicina atual: da constatação da gravidade mostrada pelo ENAMED ao futuro seguramente preocupante
Quem acha que os dados trazidos pelo ENAMED são finais e verdadeiros, engana-se e se assusta pela realidade escondida ou disfarçada.
As notas ruins (1 e 2) são, verdadeiramente, muito mais volumosas assim como são muito menores as notas avançadas (4 e 5). Que fatores interferem na falsidade dos dados?
Nesse primeiro exame nacional, vinha existindo a expectativa e preocupação das “fábricas de médicos”, entremeadas com faculdades “de verdade” e cursos legítimos do aprendizado da profissão, de produzirem um efeito de marketing para proteger a incompetência de formação de médicos do nível tradicional.
Existe uma preocupação em criar uma explicação desejada diante do que o efeito prático tem mostrado: nível de formação rasante, com perfis claros de falta de conhecimento de bom nível, da falta de compromisso com os pacientes e do tradicional comprometimento com responsabilidade, coroados pela falta de espírito de carreira.
A expressão que mais se ouve do jovem hoje formado é: “se eu não ganhar bem ou não ficar rico, caio logo fora para outra profissão”.
Não há como esconder: de 26 faculdades na década de 1970 (século passado) para 500 faculdades atualmente, não há como suprir ensino gabaritado exatamente pela carência de Corpo Docente ao que foi abrupta e desonestamente acrescentado. Ou seja, a alma desse sagrado ensino (PROFESSOR), pouco existe e nem poderia existir nessa proporção.
Não há como suprir Preceptores, Tutores, Mestres ou Doutores, dificílimos de serem “produzidos”, para essa demanda “escandalosa” de novas faculdades.
Uma questão grave, senão, gravíssima foi a invenção de um novo modelo de curso, chamado PBL (Public Basic Learning), que não vale a pena explicar o que é, mas que se resume em elaborar tratadores de algumas centenas de doenças (200 a 300), com protocolos definidos e, a partir daí, titularem-se “médicos” a serem “jogados” no mercado de trabalho. A USP SP, 55 anos atrás, eliminou precocemente tal curso de sua grade.
Da mesma forma que se tem criado programas “online” de ensino de medicina e de atendimento “online”, tiveram a coragem de se criar cursos de aulas online e a criminosa faculdade de medicina para “criaturas aborígenes” do MST com o escrachado uso de uma das faculdades federais do País, como mãe ou matriz dessa verdadeira vergonha.
Aí vem o grande golpe de marketing para dar lastro ou crédito a essa indústria milionária de uma profissão milenar ou secularmente desejada.
É muito dinheiro envolvido no grupo explorador de escolas médicas particulares e é maior ainda a sagacidade de procurar brechas de falsear resultados. É inversamente proporcional a “espírito sincero” dos elaboradores do exame (ENAMED) e da astúcia falaciosa desse grupo de donos de faculdades privadas de medicina, agora com a oportunidade de dar o “grande gancho” de credibilidade. Para os usurpadores de formação da sagrada profissão, foi chegado o momento do golpe.
São muitos os jeitos: arranjo de alunos a fazerem as provas (distante de uma amostra representativa do total da faculdade), “manejo dos gabaritos e sigilo” das provas, que são manobras criativas num País todo corrompido desse momento e sem interesse em vigilância ou fiscalização, que também podem estar vulnerabilizadas.
O País vive momento de absoluta descrença na lisura de qualquer evento público, mercê da vergonhosa crise instalada nas altas instâncias. Todos sabemos…Não se tenha dúvida que uma hora as coisas irão aparecer. Aliás, já se evidencia índice de maus resultados de atendimento, índice alto de depressão em médicos e médicas, muito além da média de outras profissões.
Existe histórico de exames de avaliação públicos, sem tanto envolvimento de DINHEIRO GROSSO, que foram, no passado, flagrados e cancelados. Os ENEMs são exemplos “clássicos” e relativamente pobres em envolvimento do “vil metal”.
Nunca se viu tantos cursos de especialização médica propagados na mídia inter náutica nos últimos anos. Perfeitamente crível que esse caminho conduz a dezenas de possibilidades típicas do resultado desse exame nacional.
Fica, por fim, registrado o respeito pela iniciativa e nobre intenção do CFM com o ENAMED, porém, sem se deixar enganar pela “turba silenciosa” dos exploradores da nobre profissão e sem perder o respeito pela fração de alunos que, bem ou mal, conseguem fazerem-se profissionais “médicos de fato”, apesar dos pesares.
Mas que a Sociedade Brasileira não se deixe enganar pelos dados: acredita-se que o alunado com índice 1 e 2 vai a 70 por cento, ao se considerar avaliações sérias. Assim como 20 a 30 por cento conseguem fazer valer o almejo de virem a ser Médicos de Verdade.
Coisas de um Brasil “conhecido” dos dias atuais.
Dr Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e Médico do Trabalho
Formado pela Escola Paulista de Medicina – CRM 20.810
Mestre em Ciências pela UNIFESP (Univ. Federal de São Paulo)
Ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos
Ex Presidente da APM – Regional de Barretos
Advogado – OAB SP 359.410