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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

A luta do luto

Rompendo todas as regras da gramática, me atrevo a dizer que luto é substantivo abstrato de luta.
Luta para se reerguer, luta para recomeçar, luta para ressignificar, luta para redescobrir algum sentido na vida.
O processo é lento e doloroso, envolve superar limites, negar palpites, e se permitir o choro. Chore… Chore de várias maneiras… Chore bem baixinho, chore devagar, chore de mansinho e chore de soluçar.
Akapoeta em seu Livro dos Ressignificados traduz lágrima como:
“Amostra grátis do mar. É às vezes fragmento de tristeza, às vezes de alegria. É quando a nossa alma chove para fora do corpo. É quem te invade o rosto sem pedir licença. É a prova da nossa humanidade. Sensível ao toque. É quando nosso espírito racha e a gente vaza.”
Nem sempre as lágrimas vazam, às vezes ficam dentro do peito afogando a alma, assim como nem sempre o luto se refere a perda de alguém, também pode ser de algo. Para cada perda; um luto, uma luta diferente.
Lute… Lute de várias maneiras…Lute ao seu tempo, lute devagar, lute de mansinho, só não pare de lutar.
A saudade sempre habitará o coração do enlutado lutador, mas a dor um dia desaparecerá, a alegria votará e enfim se vencerá a luta!

 

 

 

Erika Borges é cronista e escritora,
autora dos livros Crônicas e Reflexões
da Vida e Crônicas e Reflexões na Pandemia,
Mediadora de Biblioterapia

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