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domingo, 16 de junho de 2024

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À intransigência, Jesus propõe a compaixão

            Retomamos neste domingo a celebração dos domingos do tempo comum, ou seja, retornamos ao tempo litúrgico chamado “ordinário”, que se realiza no decorrer do ano, quando revivemos os gestos e relembramos as palavras de Jesus, que devem caracterizar a nossa vida de discípulas e discípulos seus.

            O texto do Evangelho, que temos diante de nós neste domingo, nos fala da crítica que os fariseus fazem a Jesus, porque ele e seus discípulos caminham e colhem espigas no dia do sábado. Apanhar espigas não era proibido; mas, no dia do sábado, não era tolerado porque se caracterizava como uma espécie de colheita, ou seja, como trabalho, proibido aos sábados.

            Jesus refuta a crítica dos fariseus, lembrando Davi que, juntamente com seus amigos, pediram ao sacerdote Aimelec (não Abiatar como diz Marcos), os pães da preposição que eram reservados apenas aos sacerdotes.

            A justificativa de Davi era por se tratar de uma necessidade urgente, bastante semelhante à situação que se encontravam Jesus e os seus discípulos.

            A atitude de Jesus contrasta com a dos fariseus. Para Jesus, o sábado é uma lei como todas as leis, que visa o bem do homem. Quando se trata do bem das pessoas não há outra lei senão o amor.

            O Evangelho deste domingo nos revela que o intransigente nunca se coloca no lugar do outro; só ele tem razão. Ele pensa a partir da lei, e não a partir da situação e das necessidades das pessoas.

            Para o intransigente não lhe importa que o outro tenha fome no sábado, como tampouco lhe importa que esteja enfermo. O importante é o sábado e não a pessoa.

            Jesus declara que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”; e afirma também: “O filho do homem é também senhor do sábado”. Parece uma contradição, mas deixa de ser se compreendemos que a autoridade do Filho do Homem é uma autoridade em função das pessoas. Jesus, o Messias, o Salvador do mundo, o “Filho do Homem” não veio condenar o homem, mas salvá-lo de toda alienação e, em primeiro lugar, da opressão da lei.

            Quando se encontra na sinagoga, Jesus não consegue celebrar a liturgia sem fazer alguma coisa por um dos presentes, um homem que tem uma mão paralisada. À intransigência, Jesus propõe a compaixão.

            Hoje vivemos num mundo que com facilidade cria rótulos que classificam as pessoas. Também nós hoje nos encontramos com pessoas que têm tanta dificuldade em aceitar o diferente, em conviver com quem não partilha da sua opinião. Com facilidade usamos da intransigência, enquanto Jesus, com a sua atitude, nos convida à compaixão e à bondade.

            A bondade salvará o mundo, dizia Dom Orione, o Cotolengo.  Sim, à medida que a nossa vida se revestir de bondade, há esperança para o mundo. Só a bondade, que procura o bem dos outros, será capaz de garantir a felicidade para nós.

(Por: Dom Milton Kenan Jr)

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