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segunda-feira, 20 de maio de 2024

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A infelicidade no trabalho e os gatilhos no desequilíbrio emocional

Estudos e estatísticas confirmam que as organizações lucram muito quando seu quadro funcional é formado por pessoas satisfeitas e felizes. A produção e a entrega de resultados possuem uma expressiva elevação, quando o clima organizacional é satisfatório. Porém, estes mesmos estudos afirmam que o número de pessoas infelizes em suas funções, cresce a cada dia no Brasil.
O problema é que as pessoas não se dão conta disso, trabalham em piloto automático e, muitos evitam encarar algumas verdades. Por este motivo é muito importante refletir e analisar criticamente o que pode estar lhe gerando sentimentos negativos.
Do contrário, a infelicidade e insatisfação podem alimentar outras sensações destrutivas, impedindo uma vida equilibrada e saudável dentro e fora da instituição empregadora. Pois, tendenciosamente, estamos sempre em busca de culpados para nossos desagrados.
No entanto, nem sempre a raiz do problema está do lado de fora, em muitos casos, está em nós mesmos. E quando tomamos essa consciência e identificamos o foco da questão, fica muito mais fácil trabalhar uma solução eficaz e definitiva.
Entretanto, o que podemos observar é que a infelicidade com o trabalho possui razões muito mais internalizadas e individualizadas, como: insatisfação com a carreira escolhida; falta de identificação com as tarefas executadas; dificuldade em expressar emoções; dificuldade para lidar com pressão e os desafios; falta de organização; descontrole na separação dos problemas da vida pessoal com o trabalho e o excesso de dívidas e preocupações financeiras.
A verdade é que não somos preparados para praticar o autocuidado e olhar para nossas insatisfações internas, sem buscar culpados ao redor e sem projetar as frustrações pessoais no universo corporativo ao qual estamos inseridos.
Mas como mudar esse cenário? O primeiro passo para vencer essa infelicidade no ambiente de trabalho, é encontrar a verdadeira causa da insatisfação. Identificar o principal motivo da sua desmotivação. Mas, atenção, não adianta achar que essa busca é fácil e a solução virá de forma rápida e sem esforço. Não funciona assim. É preciso se descontruir de crenças limitantes, dedicar tempo para reorganizar seus desejos e vontades e, principalmente, trabalhar o senso crítico.
Colocando cada situação em sua caixinha adequada. Reflita e responda a si mesmo: “Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?” Além disso, é muito importante entender e refletir sobre qual o significado que o trabalho tem em sua vida. Perceber se suas escolhas estão coerentes com o papel que se está desempenhando. O ideal é trabalhar suas perspectivas reais, e não as idealizadas do emprego dos sonhos.
Enfim, o encontro com nossas necessidades próprias e o real sentido da vida, promovem uma melhor satisfação com as atividades que desempenhamos. Provoque uma mudança em seu comportamento e, principalmente em sua visão das expectativas desejadas. Compreenda e reflita se o descontentamento com a sua profissão ou com seu trabalho, não está na mudança interna que precisa se manifestar para que seus sentimentos venham à tona e a auto realização seja atingida.
Ressignifique a vida, seja positivo em suas escolhas e honesto com seus desejos. Atribua a real responsabilidade e transparência de uma vida sobre os sentimentos negativos que o consomem. Assim, poderá eliminar a angústia, a tristeza, a desmotivação e, até mesma uma possível depressão. Afinal, muitas mudanças devem partir de nós mesmos.

 

 

 

Dra. Andrea Ladislau,
Psicanalista, membro da
Academia Fluminense de Letras.

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