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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Artigos

A importância do mapeamento cultural

Caro leitor,
No dia 1º de janeiro de 2021, tomam posse a prefeita eleita Paula Lemos, a primeira mulher da história desse ‘chão preto’ a assumir esse cargo, e seu vice, dr. Gustavo Sasdelli, para um mandato de 4 anos, e com eles serão empossados 17 vereadores à Câmara Municipal e um secretariado que deverá propiciar uma boa e eficaz administração. Estamos na torcida para o bem e o engrandecimento de nossa querida Barretos!
Com relação à minha área de atuação, quem for ocupar a cadeira no Palácio da Cultura, na av. 15, ou seja, quem assumir a Secretaria Municipal de Cultura terá a tarefa primordial, entre outras incumbências, de fazer o ‘mapeamento cultural’ da cidade, sendo o mesmo uma forma que permite o levantamento de informações da diversidade cultural, e visualização dos aspectos culturais da cidade e sua ligação com a produção cultural. É de suma importância para direcionar as políticas públicas culturais e desenvolver a economia criativa para a cultura ao traçar uma logística capaz de democratizar os recursos e atender a pluralidade de manifestações e segmentos sociais e culturais, atingir o maior número de pessoas e agremiações envolvidas com a arte e a cultura. O poder público deverá ouvir as demandas, interpretar eficientemente os anseios de todos, e promover a capacitação dos ativistas e artistas, principais protagonistas, com cursos, ‘workshops’, seminários, oficinas literárias e de artes, que visam alavancar os movimentos culturais, através de seus saberes, seus sentimentos e ideais da coletividade artística e cultural.
Hoje sabemos quem são os ‘fazedores de cultura’, apenas os mais conhecidos, os que estão na mídia, mas tem muitos ‘invisíveis’ no meio cultural, que o poder público os desconhece. É um trabalho árduo de campo, apesar das dificuldades, principalmente, de pessoal lotado na Secretaria, no entanto, é necessário para conhecermos a diversidade cultural de Barretos, apoiando as manifestações e grupos que se encontram no anonimato, inclusive os folclóricos.
Estamos na militância e vivência cultural desde 1974, portanto há 46 anos, nunca esmorecemos. Já vimos entrar e sair prefeitos. Na cultura, na década de 1970, não possuíamos a Secretaria de Cultura, mas sim a Divisão de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, que, com a mudança de ‘status’ passou à denominação de Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Turismo. Mais tarde com desmembramento passou então a se chamar Secretaria de Educação e Cultura, e foi criado, alguns anos depois, o Departamento de Cultura, vinculado à mesma Secretaria, e posteriormente, foi criada a Secretaria Municipal de Cultura, sendo uma conquista da classe artística e seus ativistas culturais.
No entanto, nunca se fez um levantamento do potencial da cultura viva de Barretos, muito pelo contrário, assistimos, atônitos, muitas agremiações culturais e artistas solo desaparecerem com o tempo, que causou o declínio artístico, por falta de atenção das autoridades.
As políticas públicas além de incentivar, de forma democrática, os talentos levantados pelo mapeamento, também provocará o aparecimento de novos talentos e valores culturais e artísticos, através, por exemplo de uma competição entre escolas, entre bairros, os distritos rurais, esses sempre ficaram de fora, entre outros eventos culturais, transformando as praças, centros comunitários, clubes de serviços, quadras esportivas, escolas etc. em espaços culturais, com promoção de mostras e festivais, atingindo um público e dando dinamismo à Secretaria, que passa a utilizar o dinheiro público em prol da comunidade em geral, onde todos possam exercer sua cidadania.
Infelizmente somos sabedores da verba escassa destinada à cultura, juntando-se à crise atual, devido à pandemia da COVID -19, mas com o apoio dos ‘fazedores de cultura’ e a chamada ‘economia criativa’ pode-se desenvolver as artes cênicas, musicais e visuais, a literatura, o audiovisual, a cultura popular, o artesanato, o folclore etc. até mesmo promover o intercâmbio de nossos talentos com outras cidades.
Todos nós sabemos que a prefeitura mantém vários equipamentos de arte e cultura, na área central e, em alguns bairros, além de grupo de teatro, músicos, dançarinos, no entanto, os outros artistas fora desse círculo estatal, não tem incentivo do poder público, a não ser na música sertaneja ou caipira, em apresentações esparsas, apesar de sermos a ‘terra do peão de boiadeiro’.
Pois é chagada a hora de contarmos com uma gestão cultural, que vise transformar a sociedade de forma permanente, afastar os ventos contrários e torcer para que bons frutos venham a ser colhidos e que Barretos seja uma fonte de irradiação de cultura.

José Antonio Merenda
Ator, diretor teatral, historiador, presidente da ABC e membro do Conselho Municipal de Cultura

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