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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Artigos

A igreja para escravizados na história de Barretos

A fé católica é antiga na sociedade barretense, desde os primórdios da fundação da cidade de Barretos o catolicismo se fez presente para o povo dessas terras, do branco ao negro, do pobre ao rico, do homem à mulher, dos idosos às crianças, do comerciante ao funcionário. Desse modo, logo no início da história barretense capelas foram sendo construídas para a religiosidade popular. A primeira delas foi a que é hoje a Catedral do Divino Espírito Santo.

Entretanto, no decorrer, e logo no início da história de Barretos, uma segunda igreja foi construída, a Igreja do Rosário, fundada em 1870, no bairro do "Outro Mundo", onde é hoje o bairro Fortaleza, de maneira mais especifica onde hoje é o antigo prédio da estação ferroviária funda-se uma capela. Voltada aos negros escravizados, livres ou descendentes de escravizados, onde a maioria provinha da Nigéria, como os da etnia monjolo. No período eram comuns na sociedade haver escravizados (chegando há mais ou menos 150 só na década de 1870, para uma população de quase duas mil pessoas).

Nossa Senhora do Rosário era uma santa que mais era associada pelos escravos recém conversos ao cristianismo, no Brasil, uma santa de devoção comum aos portugueses, sendo estes responsáveis pela colonização do Brasil e como consequência a escravidão e conversão dos escravizados a fé cristã. O rosário segurado pela santa facilmente foi associado a objetos comuns das crenças populares das suas regiões de origem, a exemplo o òpelè-ifá.

Derrubada em 1909 para abrir espaço para a ferrovia, hoje, quase 150 anos depois, não muito distante do local de origem, se encontra a Paróquia da Nossa Senhora do Rosário.

 

Leonardo Ferrari Silva, formado em Licenciatura em História.

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