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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Artigos

A Igreja não é uma alfândega

Os fariseus escandalizavam-se de Jesus acolher os pecadores. Ele, por sua vez, lhes contou três parábolas (Lc 15, 1-32).
Nas três parábolas ele fala de um pastor, de uma mulher e de um pai, que agem como o seu Pai age.
Na parábola do pai misericordioso, o pai, que tinha todas as razões para jamais querer ver aquele filho desnaturado, faz festa e manda matar o novilho cevado, pois estava perdido e foi encontrado.
O pai não pediu garantias de que aquele filho não voltaria a agir como agiu quando usurpou os bens do pai. Não! O pai o acolheu.
O filho mais velho, que via o pai como um patrão, cheio de ironia ridicularizou o pai. Não se deu conta de que seu pecado era semelhante ou pior do que o seu irmão.
O Papa está agindo como o Pai misericordioso que acolhe, que oferece àquelas pessoas feridas uma fresta de esperança e um gesto de misericórdia. Não é isso que propõe o Evangelho?
Jesus mesmo disse que não veio para os justos, mas para os pecadores. Os sãos não precisam de médico.
O Papa, por sua vez, não rompeu com a tradição da Igreja, mas deu passo avante na direção do Evangelho!
Diante da realidade desse mundo a Igreja não pode deixar de ser uma fresta de esperança para os seus filhos feridos, não pode deixar de estender-lhe as mãos.
Evidentemente que o Evangelho continua hoje a provocar reações fortes. Muitos se sentem como aquele filho mais velho que se quer reconhece o irmão como o “seu” irmão.
Na lógica farisaica a atitude de Jesus é indecente; na lógica do Evangelho, o que conta é a misericórdia.
Abençoado Papa Francisco! Deus o ilumine e o sustente. Ele continue a lembrar que a Igreja não é uma alfândega, mas a casa, o hospital de campanha, que acolhe todos: sãos e feridos. E para todos oferece o óleo da alegria e a luz da esperança.

 

Por: Dom Milton Kenan Jr.

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