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A idolatria do dinheiro mata
Sobre a parábola do homem rico cujo dinheiro "é o seu deus", ela nos leva a refletir sobre quanto é vão apoiar-se sobre os bens terrenos. O verdadeiro tesouro é a relação com o Senhor.
Diante da abundância da sua colheita, aquele homem não para: pensa em ampliar o próprio armazém e, na sua fantasia a prolongar a vida: isto é, aposta em ter mais bens, até a náusea, não conhece saciedade: entra naquele movimento do consumismo exasperado.
É Deus que coloca o limite a este apego ao dinheiro. Quando o homem se torna escravo do dinheiro. E esta não é fábula que Jesus inventa: esta é a realidade. É a realidade de hoje. Muitos homens que vivem para adorar o dinheiro, para fazer do dinheiro o próprio deus. Tantas pessoas que vivem somente para isto e a vida não tem sentido. ‘Assim faz quem acumula tesouros para si – diz o Senhor – e não se enriquece junto a Deus’: não sabem o que é enriquecer-se junto a Deus.
(…) E também hoje existem essas pessoas famintas de dinheiro e de bens terrenos, pessoas que tem "muitíssimo" diante de "crianças que não têm remédios, que não têm educação, que estão abandonadas": se trata "de uma idolatria que mata", que faz "sacrifícios humanos".
Esta idolatria mata de fome muitas pessoas. Pensemos somente num caso: em 200 mil crianças rohingya nos campos para refugiados. Ali existem 800 mil pessoas. Duzentas mil são crianças. Mal têm o suficiente para comer, estão desnutridas, sem medicamentos. Também hoje isso acontece. Não é algo que o Senhor fala daqueles tempos: não. Hoje! E a nossa oração deve ser forte: Senhor, por favor, toca o coração dessas pessoas que adoram o deus, o deus dinheiro. Toca também o meu coração para que eu não caia nisso, que eu saiba ver.
Outra conseqüência é a guerra. Inclusive a guerra familiar. Todos nós sabemos o que acontece quando está em jogo uma herança: as famílias se dividem e acabam no ódio uma pela outra. O Senhor destaca com suavidade, no final: ‘Quem não se enriquece junto a Deus’. Este é o único caminho. A riqueza, mas em Deus. E não é um desprezo pelo dinheiro, não. É justamente a cobiça, como Ele diz: a cobiça. Viver apegados ao deus dinheiro.
Rezemos para buscar em Deus o sólido fundamento da nossa existência.
Papa Francisco