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A evasão de médicos gabaritados para fora de Barretos
Tradicionalmente, Barretos sempre teve, até 20 anos atrás, um colégio de profissionais de medicina, nas diversas áreas, do mais alto nível de formação e de pós-graduados, como especialistas diferenciados. É extremamente paradoxal (contraditório) que em tempos de avanço da Medicina, tenhamos regredido sensivelmente.
Até 20 anos atrás, a Fundação Pio XII seguiu princípios de qualificação liderada pelo Dr. Paulo Prata, o seu fundador. Conseguiu formar uma base de oncologistas que se firmaram como profissionais de alto nível e qualidade de serviço respeitável, com expressividade nacional.
De 20 anos a essa parte, a evasão de profissionais dessa Fundação chega a números próximos a uma centena de grandes profissionais, que aos poucos foram se afastando (ou sendo afastados) de forma incompatível com a que fora idealizada pelo fundador.
As desvinculações aconteceram das piores maneiras, das mais insensíveis e desumanas possíveis, variando de um reles comunicado telefônico até à frieza de delegar a desagradável missão a um funcionário não médico. Pior: de nada valiam 15 anos, 20 ou 30 “anos de casa” sendo a frieza, repita-se, o lugar comum de tais medidas.
O começo foi um corte em linha da remuneração dos salários de forma súbita, com promessa de que era uma medida transitória e provisória, que iria ser breve e recomposta em curto período de tempo.
Que ilusão! Acreditando, com boa fé, centenas de colegas jamais viram o cumprimento da tal promessa, decepcionando àqueles que, somente ficaram aqui, porque mantinham o ideal cultivado pelo respeitável fundador Dr. Paulo Prata. O que tem prevalecido é um achatamento, cada vez maior, de seus valores e sempre regrados por uma atividade de dedicação exclusiva.
O mecanismo usado? A substituição progressiva e ampliada de profissionais experientes do staff, por colegas residentes ou recém egressos da Residência Médica, evidentemente, em curva de aprendizagem/treinamento, impossíveis de serem comparados com o gabarito tradicional.
A engrenagem desse mecanismo, é a dedicação exclusiva (imposta) e um monopólio, em construção no início dos tais tempos, e agora implantado com todo o rigor de prejuízos que pode trazer ao usuário (pacientes) e servidores (médicos e paramédicos), passando o quesito qualidade a ficar secundário.
Ainda existe, sim, uma pequena quantidade de profissionais de alto gabarito, os quais chegaram a alertar tal evasão, recebendo uma explicação de que a instituição “entendeu” e reconhece a evasão, explicando que ela mesma é capaz de repor as perdas, como se conseguisse isso da “noite para o dia”….Interessante que os interlocutores aceitam a explicação, sem contestar, até porque estão diante de um crivo ameaçador de dispensa, dentro de um sórdido monopólio totalmente inaceitável.
Essa é uma questão séria que, mesmo em instituição privada, dá a qualquer cidadão o direito de questionar qualidade e desempenho, exatamente porque é fomentada por dinheiro público seja de áreas governamentais (“dinheiro carimbado”), seja de doações públicas pelos diversos segmentos da sociedade em geral.
É uma típica Parceria Público Privada que, à luz da lei, tem deveres e obrigações de rigorosa prestação de contas financeiras, inclusive, da qualidade.
Neste espaço, está uma questão relacionada a uma parte do monopólio. A outra, relativa à Santa Casa, envolvendo outros interesses, prevalece diferentes formatos de impor a “marginalização” de médicos gabaritados e o extenso prejuízo de oferta de qualidade de atendimento nas diversas outras áreas, muito mais amplas que a específica oncologia.
É um assunto que merece outro espaço e outro momento para a devida apreciação.
Por fim, aos colegas que se foram, de forma silente, injusta, mas elegante, vai o reconhecimento da enorme clientela pelo bem que fizeram, levando boas recordações de nossa querida Barretos, tendo aqui honrado a sua classe e certamente bem ajustados nas novas comunidades.
É a vida…porém, em desconformidade com o merecimento de nossa população.
Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião / Endoscopista
Ex Diretor Clínico da S. Casa
de Barretos
Advogado