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sábado, 02 de março de 2024

Artigos

A desaceleração da economia

gada cerca de dois meses e meio após o encerramento do trimestre-calendário. O IBC-Br sai todos os meses, mas é cálculo aproximado.

O IBC-Br, que saiu na última sexta-feira, mos- trou queda de 0,06% em setembro, na comparação com agosto, o que contra- riou as expectativas de crescimento no período em pelo menos 0,2%. Assim, o terceiro trimestre apontou recuo da atividade de 0,6% e lança um arrasto negativo também para o quarto tri- mestre. Desta vez, o setor que puxou para baixo foi o de serviços, movimento que já vinha sendo obser- vado pelos indicadores que medem o comportamento do varejo.

Mas o pulso da econo- mia não pode ser avaliado apenas pelo PIB. Há, tam- bém, coisas boas aconte- cendo, fatores que tendem

 

a melhorar o comporta- mento da economia. Como sempre, há outras incer- tezas, que lançam neblina para o futuro dos próximos meses

Entre os indicadores positivos, está a queda da inflação para a altura dos 4,5% ao ano e deve conti- nuar a derrubar os juros, portanto, a baratear o cré- dito. Contribui para menor inflação a queda da cotação do dólar no câmbio interno, de 3,5% desde o fim de se- tembro. Um dólar mais ba- rato em reais ajuda a conter os preços dos importados.

O deslizamento do dó- lar no câmbio interno, por sua vez, reflete mais entra- da do que saída de moeda estrangeira. Isso tem a ver com o excelente desempe- nho das exportações, que deverão apontar para um saldo positivo (superávit) recorde na balança comer- cial deste ano, de US$ 60 bilhões, e entrada líquida

 

forte de dólares na conta de Investimento Direto no País (Investimento Estran- geiro), de US$ 75 bilhões a US$ 80 bilhões.

Dá para acrescentar mais dois fatores positivos: a reta final no processo de aprovação da reforma tributária — o que não é pouca coisa — e a perspec- tiva de nova safra recorde de grãos.

A principal incerteza está na área fiscal. A dete- rioração das contas públicas continua. Uma desacelera- ção do PIB deve pesar na arrecadação de impostos.

E há as incertezas da economia global. O risco de recessão não está afastado e os juros nas economias líderes continuarão   altos e podem abater os preços das commodities, princi- pal item de exportação do Brasil.

 

Celso Ming, comentarista de economia

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