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quinta-feira, 23 de julho de 2015

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A CRISE POLÍTICA

O rompimento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) torna mais instável a situação política atual, de crise econômica crescente e tensão política que não cessou desde o resultado do segundo turno das eleições passadas. Milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo, exigindo reforma política e outras demandas, mas no Congresso Nacional o que se viu foi um avanço tímido de uma reforma política que não altera significativamente muita coisa. O País vive uma oportunidade para aprofundar esse debate e buscar meios de aprimoramento da democracia, protegendo-a inclusive daqueles que querem se voltar contra ela, sejam grupos políticos mais à esquerda ou mais à direita. O fato é que a reforma política aprovada talvez não corresponda às reais necessidades do tempo presente. O governo federal continua exercendo seu poder de pressão sobre o Legislativo e busca fazer valer um ajuste fiscal para evitar o agravamento da crise econômica, ajuste esse que evidentemente acaba sendo pago pelo povo, que não se vê seguro, em nenhum aspecto, e não quer perder direitos sociais conquistados.  
A crise política também é agravada pelas incertezas do rumo da Operação Lava Jato, que prossegue com as investigações no que já é o maior escândalo de corrupção do mundo, cuja ação do Juiz Sérgio Moro em chegar à verdade dos fatos, recorrendo inclusive às delações premiadas, tem surtido efeitos impactantes. Parlamentares também pressionam por abrir a CPI do BNDES, que consideram mais graves ainda, com maiores repercussões. Nunca na história do país se viram escândalos dessa proporção, noticiados em jornais internacionais, com adjetivos superlativos. O que se indaga é como foi possível uma corrupção chegar a esta extensão? Isso requer que de alguma forma um aperfeiçoamento das instituições, que se mostram fragilizadas na medida em que não foi possível evitar tais danos. Não apenas a reforma política, mas também outras reformas seriam necessárias, para ajustar o sistema e torná-lo menos vulnerável à corrupção.
  Não é possível, de modo algum prevercomo essa crise será resolvido, e o que virá disso tudo. Mas é preciso que o Brasil saia melhor dessa crise, transformando-a em oportunidade de melhorias, especialmente das instituições. O grande desafio é fortalecer a democracia, para que pela via democrática possamos encontrar os ajustes e soluções que se fazem necessários. Esse é o nosso maior desafio do momento: evitar radicalismos, discursos de ódio e intempestividades que venham a comprometer o que já foi possível em todos esses anos, em termos de conquistas de direitos políticos e sociais. Temos a certeza de que o Brasil sairá melhor dessa crise política. 
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI 

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