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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

A criança, o abuso infantil e o colo do adulto

O abuso infantil é um tema muito sério e preocupante, e infelizmente ainda uma realidade na atualidade. De acordo com o campo da Psicologia, o abuso infantil pode ser definido como qualquer forma de maus-tratos físicos, emocionais ou sexuais contra crianças.

Para vários teóricos, o abuso infantil pode interferir no processo de formação da identidade da criança, causando transtornos como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e até ideações suicidas, o que torna fundamental o apoio psicológico na superação dos traumas que, se não acolhidos, podem acompanhar a vítima por toda a sua vida.

Albert Bandura, (1925 – 1921), psicólogo social canadense, destaca que nas crianças, o aprendizado é feito por observação e imitação dos adultos ao seu redor. Para ele, crianças que sofrem abuso podem internalizar esse padrão de comportamento e repeti-lo em suas relações futuras, perpetuando assim o ciclo de violência.

E o que podemos fazer? Se o adulto responsável não acolhe, qualquer um poderá fazê-lo. Assim, cabe-nos a reflexão: como será a acolhida desse outro que muitas vezes não sabemos quem é? Ele pode ser um abusador em potencial. Assim, a prevenção ainda é o caminho ideal, sendo importante discutir a importância de educar as famílias sobre os sinais de abuso infantil, promover um ambiente seguro e acolhedor e incentivar a comunicação aberta e honesta dentro da própria casa. Além disso, é fundamental abordar os mitos e tabus que muitas vezes cercam o tema do abuso infantil, encorajando as famílias a denunciarem qualquer suspeita ou caso de abuso às autoridades competentes.

A orientação sexual, o não-me-toque explicitando exatamente a mão boba do agressor, o colo abusivo do familiar, ou o beijo exagerado de outros, que, a princípio, podem parecer inofensivos, nem sempre o são. Observar esses fatores, observar as mudanças no comportamento das crianças, se sua vontade no brincar e sua alegria não foram alteradas; aliados ao diálogo são cuidados essenciais.

E quando o abuso já tiver ocorrido? Cabe então, acolher a vítima, sem julgamentos, pois estes só trarão maiores sofrimentos. E o que pode ser o acolher? Acolher significa não condená-la por suas roupas; não torná-la culpada pelo abuso, mas, acreditar no que ela diz, legitimar suas dores, validar seus sentimentos. Outro fator preponderante na acolhida é a não exposição da vítima em redes sociais. A raiva da família é entendida, mas punir o agressor, é um trabalho feito pela justiça. Respeitar a dor da vítima é também manter sua identidade em sigilo.

No caso de a família ser a responsável pelo abuso infantil, é crucial garantir que a criança seja protegida e receba o apoio necessário para se recuperar do trauma. Nesse caso, é importante envolver também serviços de proteção à criança, profissionais de saúde mental e assistentes sociais para proporcionar um suporte abrangente à família e à criança vítima de abuso.

Lembrem-se que o silêncio serve apenas ao agressor, assim como foi no jogo da Baleia Azul. Lembram-se? Nesse jogo, a maior arma do agressor era a regra do silêncio, o não contar ao adulto. E assim é na maioria das vezes, já que agressor pede o silêncio à vítima, quase sempre por meio de ameaças.

Amparar, ouvir, dar contornos às vítimas, falar sobre temas ainda considerados tabus. A educação sexual adequada é a maior proteção para as crianças contra os abusos a elas praticados. Pense nisso!

Sada A. Ali, Psicóloga Clínica
CRP-06/166892

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