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terça-feira, 13 de junho de 2017

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A consolação verdadeira é dom e serviço

A experiência da consolação, que é uma experiência espiritual, precisa sempre da alteridade para ser plena: ninguém pode consolar-se a si mesmo. Ninguém. E quem procura fazê-lo termina olhando-se no espelho. Olha-se no espelho, procura maquiar-se, se aparecer. Consola-se com essas coisas fechadas que não o deixam crescer e o ar que respira é o ar narcisista da autorrefencialidade. Esta é uma consolação maquiada porque é fechada, falta-lhe a alteridade.
No Evangelho se encontra muita gente assim. Por exemplo, os doutores da Lei, “cheios da própria suficiência”, o homem rico que vivia sempre em festas, pensando em se consolar, mas sobretudo o que expressa melhor este comportamento é a oração do fariseu diante do altar. Ele diz: “Eu te agradeço porque não sou como os outros”. Ele se olhava no espelho, olhava a própria alma maquiada por ideologias e agradecia ao Senhor. Jesus mostra esta possibilidade de ser gente que com este modo de viver “nunca alcançará a plenitude”, mas a vanglória.  
Para ser verdadeira, a consolação precisa de uma alteridade. Primeiramente, se recebe, pois é Deus quem consola, que dá este dom. Depois, a verdadeira consolação amadurece também outra alteridade, ou seja, a de consolar os outros. A consolação é uma passagem do dom recebido ao serviço doado. 
A consolação verdadeira tem dupla alteridade: é dom e serviço. Assim, se eu deixo a consolação do Senhor entrar como dom é porque eu preciso ser consolado. Para ser consolado é necessário reconhecer-se necessitado. Somente assim, o Senhor vem, nos consola e nos dá a missão de consolar os outros. Não é fácil ter o coração aberto para receber o dom e fazer o serviço, duas alteridades que tornam possível a consolação (…). 
Papa Francisco

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