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A Colheita
No decorrer da vida vamos semeando por campos férteis e inférteis, sem nem mesmo percebermos. Nos descuidos boas sementes são desperdiçadas em solos infecundos, ao mesmo tempo que ervas daninhas também são lançados em solos férteis.
Nessa imensidão de plantios a vida segue seu curso, sem muito nos preocuparmos com os resultados. O viço da juventude muitas vezes nos cega e vivemos sem pensar no amanhã. Só que o amanhã chega mais rápido do que se pode imaginar…
Haverá o tempo em que cada um colherá exatamente o que plantou, e não poderá se queixar dos frutos amargos, insípidos ou pouco nutritivos gerados pelo teor do suor de seu trabalho, ou pouco trabalho melhor dizendo.
Felizes os que plantarem boas sementes e souberem cultivá-las ao longo do tempo; uma profusa ceifa exige dedicação, não apenas boas intenções. Como diz o ditado popular: “De boas intenções o inferno está cheio” .
Infelizmente muitos percebem tarde demais que não souberam plantar nem cultivar como deveriam, e mesmo que recomecem todo o processo não serão mais capazes de viver para colher os bons frutos, mas mesmo assim podem se alegrar por pelo menos terem lançado algumas valiosas sementes.
Que tenhamos o quanto antes a sabedoria de escolhermos os melhores germes, para que o tempo se encarregue das chuvas e nossas mãos do cultivo, pois feliz do homem que vive para gozar os frutos de uma boa colheita.
Erika Borges, cronista e escritora – autora do livro “Crônicas e Reflexões
da Vida”.