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quinta-feira, 05 de setembro de 2013

Artigos

A BANCADA DA PAPUDA

Como se já não bastasse a demora de cumprir a sentença de prisão dos condenados pelo STF pelo mensalão, fomos surpreendidos com a notícia de que o deputado Natan Donadon, preso na Papuda, em Brasília, teve seu mandato de parlamentar mantido pela Câmara dos Deputados. Dos deputados que votaram pela manutenção do cargo do já conhecido primeiro deputado presidiário do país, apenas quatro resolveram obstruir a votação. Os deputados do PT e sua base de Governo (no passado o partido governista era paladino da ética na vida pública) votaram em peso a favor de Donadon. 
Seria bom que os leitores pudessem consultar no seguinte link (http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/08/saiba-quais-deputados-votaram-no-processo-de-cassacao-de-donadon.html) o nome de cada deputado que participou desta pantomima, envergonhando ainda mais o Parlamento brasileiro, para nas próximas eleições ponderar melhor sobre o voto dado. Na reportagem do G1, o deputado queixou-se da qualidade da comida da Papuda, bem como da água fria no banho, e espera conseguir de seus advogados os benefícios de deputado mesmo estando preso. Tem-se informação também de que sua família ainda não desocupou o imóvel do parlamentar. Mesmo assim, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves já convocou o suplente de Donadon, o ex-senador Amir Lando, e defendeu o fim do voto secreto, para evitar o vexame ocorrido, como destacou o deputado Ronaldo Caiado. Muitos deputados se esconderam atrás do voto secreto para mentir à população dizendo-lhe que votaram pela cassação e não o fizeram.
Talvez a motivação de muitos deputados em serem solidários a Donadon (formando esta inusitada Bancada da Papuda), por receio de alguns deles virem passar pelo mesmo constrangimento. Prevaleceu mais uma vez o corporativismo. É interessante ressaltar ainda que votaram a favor de Donadon, abstendo-se, os deputados João Paulo Cunha e José Genoíno, ambos condenados pelo Supremo Tribunal Federal, no caso do Mensalão.
Realmente urge a reforma política, regras mais claras e mecanismos mais ágeis na punição dos abusos cometidos. Enquanto isso ficam só assim, quase que reféns de um sistema que parece favorecer os espertos. Mais uma vez temos que repetir o que não se cansa de dizer Bóris Casoy: “Isso é uma vergonha!”.
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Presidente da Conap?MEC (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Prouni).

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