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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Artigos

A autoridade de Jesus contra espíritos maus

O Evangelho deste 4º Domingo do Tempo Comum – Mc 1,21-28 -, sequência daquele do domingo passado, situa-nos ao lado de Jesus em Cafarnaum, na sinagoga, e um dia de sábado. Jesus é senhor também do sábado, vale recordar, como nos diz o evangelista Marcos (Mc 2,28).

Os primeiros versículos, 21 e 22, apresentam o contexto da cena, indicando os personagens (Jesus e algumas pessoas, a atividade do Senhor – que ensinar (em grego, didaskalia – e o resultado do ensino de Jesus: a admiração por causa de seu poder autorizado, expresso pelo termo grego exousian. Ele ensinava com exousia, e não como os mestres da Lei, baseados em seus próprios adjetivos.

O primeiro enfrentamento de Jesus no Evangelho de Marcos é este: um espírito endemoninhado que está no interior da sinagoga, um homem possuído por um espírito mau (v.23). Ele grita contra Jesus: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus” (v. 24). Seu grito constitui a forma solene de reprimir a ação messiânica de Jesus, que adentra na sinagoga. Ele sabe de onde vem Jesus, o que veio realizar e também quem o enviou: o próprio Deus.

Jesus, em contrapartida, sabendo o que o espírito maligno deseja, repreende-o: “Cala-te e sai dele!” (v. 25). A ação transformadora está explícita no v. 26: o espírito mau sacudiu o homem, deu forte grito e, com violência, o deixou. Já o v. 27 explicita a admiração de todos os que testemunham a ação salvífico-messiânica de Jesus: ele age com exousia, com um poder autorizado pelo Pai, que o enviou. Os espíritos maus obedecem a Jesus: esse é o clímax da narrativa. Jesus é um novo didáskalo, um mestre com autoridade, capaz de deter a resistência e a incredulidade daquele movimento que ocupava o interior da comunidade de Cafarnaum, sobretudo na sinagoga, lugar da reunião para o culto e louvor a Deus.

Em outras palavras, o espírito mau resiste à mensagem de Jesus, quer detê-lo, pois conhece seu nome, sua missão e quem o enviou. Jesus, porém, não se deixa reprimir com as palavras do endemoninhado. O Senhor traz um ensino novo, proveniente de Deus, e não do rigorismo dos mestres da Lei. Ao expulsar da sinagoga o espírito mau, Jesus está expulsando da religião seu rigorismo, que impede de ouvir o diferente em sua interpretação libertadora. Às vezes, os religiosos estão cheios de certezas e dogmas, mas são incapazes de ouvir a voz divina. O poder autorizado de Jesus é capaz de nos libertar do rigorismo religioso e nos tornar abertos à mensagem salvífica de Deus. (Vida Pastoral, n. 355)

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