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sábado, 28 de maio de 2022

Artigos

2022, ano de grandes celebrações

Caros leitores,
Estamos no final do primeiro mês de 2022, e pela frente teremos importantes celebrações, como o bicentenário da Independência do Brasil, os centenários da Semana de Arte Moderna e de nascimento de dois ícones da cultura nacional, o dramaturgo Jorge Andrade e o poeta Nidoval Reis, cujos festejos resgatam a história política, a revolução nas artes e na cultura em geral.
A propósito, a Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo, entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal, marcou o início do modernismo no Brasil, uma referência cultural do século XX. Foi uma renovação de linguagem, busca pelo experimental e liberdade criadora, enfim, uma ruptura com o passado ao apresentar ideias arrojadas e novos conceitos artísticos. Vários aspectos culturais foram apresentados ao público: pintura, escultura, poesia, literatura e música, com participações de, entre outros, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti.
A comemoração do bicentenário da Independência relembra o mais importante acontecimento político brasileiro do século XIX, pois naquela tarde de 7 de setembro de 1822, ocorreu o ‘Grito do Ipiranga’, tendo como pano de fundo as margens plácidas do riacho Ipiranga, em São Paulo, cujo protagonismo coube ao próprio príncipe regente D. Pedro, ao quebrar os grilhões que nos uniam a Portugal e dá um passo relevante para a construção da Nação brasileira.
No entanto, é com imensa satisfação e emoção que comemoramos os centenários do dramaturgo Jorge Andrade e do poeta Nidoval Reis, ambos nascidos nesta Chão Preto alçaram voo e seus talentos foram reconhecidos nacional e internacionalmente. Jorge veio ao mundo em Jaborandi, à época, distrito de Barretos, enquanto, Nidoval em Laranjeiras, pertencente ao território barretense, hoje distrito de Colômbia. Os dois são patronos das Cadeiras 6 e 23, respectivamente, da ABC.
Jorge Andrade, pseudônimo de Aluísio Jorge Andrade Franco, de família tradicional, nasceu a 21 de maio de 1922. Em Barretos trabalhou na propriedade rural de sua família, depois lecionou no antigo Ginásio Vocacional de Barretos. Ele iniciou sua carreira na dramaturgia em 1950, aos 28 anos, ao seguir o conselho da atriz Cacilda Becker, que o incentivou a escrever para o teatro e cursar a Escola de Arte Dramática de São Paulo. Sua obra faz uma reconstrução da história brasileira, sobretudo os ciclos econômicos da mineração e do café, além de enfatizar a decadência dos valores patriarcais. Estreou em 1954, com “A Moratória”, conquistando o Prêmio Saci. Seguiram-se várias peças de sucesso, como “Vereda da Salvação” e “Pedreira das Almas”. Publicou ‘Marta, a Árvore e o Relógio”, antologia, onde narra a formação da sociedade paulista e brasileira num intervalo histórico do século XVII ao XX. Além de escrever para o teatro, também foi autor de telenovelas e um romance. Em 1979, ganhou o prêmio de melhor escritor de televisão, outorgado pela Associação Paulista de Críticos de Arte, pela novela ‘As Gaivotas’, na TV Tupi. Faleceu em São Paulo a 13 de março de 1984, aos 61 anos, vítima de uma embolia pulmonar, deixando um legado na dramaturgia nacional.
O poeta Nidoval Reis nasceu a 21 de dezembro de 1922. Filho de um farmacêutico e de uma professora, sua mocidade foi afetada pela tuberculose, que lhe deixou sequelas para o resto da vida. Como jornalista e poeta foi colaborador de jornais e revistas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Espírito Santo e São Paulo. Radicou-se em Bauru, onde trabalhou nos meios de comunicação daquela cidade. Foi membro de várias academias de Letras do país, assim como do Grémio Cultural de Felgueiras, em Portugal. Em terras lusitanas foi vencedor de um concurso com o poema “A morte será assim”, que se encontra no portão do cemitério de Coimbra. Faleceu em Bauru a 15 de fevereiro de 1985, aos 62 anos. O seu corpo foi cremado e as cinzas espalhadas em Bauru e, em Barretos, na Praça Primavera, que, hoje leva seu nome.
Para tanto, é necessário que a cidade se engalane para celebrar os centenários de Jorge e Nidoval, dois grandes barretenses, que elevaram o cenário cultural brasileiro.

 

José Antonio Merenda
Historiador e membro da
ABC – Academia Barretense
de Cultura – Cadeira nº 29
professor e escritor.

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