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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

1º Grupo Escolar de Barretos

Caros leitores,
Amanhã o 1º Grupo Escolar de Barretos, hoje E.E. “Dr. Antonio Olympio”, completará 110 anos de existência, cuja instalação, em solenidade, deu-se a 30 de setembro de 1912.
Cabe-nos ressaltar que, o Grupo Escolar é um modelo adotado no início do período republicano, como estratégia política, que visava criar espaços de educação continuada e formação de professores, num brado revolucionário de promover a modernização do país.
Essa nova modalidade de estabelecimento de ensino, era caracterizado por um agrupamento de escolas isoladas existentes anteriormente, especialmente no meio urbano, visto que essas escolas permaneceram, ainda, por muito tempo, no meio rural. Os primeiros grupos escolares foram criados no Estado de São Paulo, em 1893, depois espalhou-se por todo o território nacional, eficiente instrumento para a seleção e a formação das elites brasileiras. O ensino primário era ministrado em quatro anos e as disciplinas possibilitavam uma educação integral, ou seja, a educação física, intelectual e moral.
Segundo Rosa Fátima de Souza, em seu estudo ‘Lições da escola primária’: “… Ela reportava a uma clara concepção de ensino; educar pressupunha um compromisso com a formação integral da criança que ia muito além da simples transmissão de conhecimentos úteis dados pela instrução e implicava essencialmente a formação do caráter mediante a aprendizagem da disciplina social – obediência, asseio, ordem, pontualidade, amor ao trabalho, honestidade, respeito às autoridades, virtudes morais e valores cívico-patrióticos necessários à formação do espírito de nacionalidade”. Vale destacar que sua extinção ocorreu nos primeiros anos da década de 1970, sendo substituído pelo sistema de ensino de 1º Grau.
Em Barretos, desde os tempos do ‘Arraial dos Barreto’, segundo Osório Rocha, ensinava-se as primeiras letras, e, em 1876, Eliseu Augusto Xavier Serradourada, cujo apelido era Guardanapo Papudo, fundou a primeira escola, onde dava aula numa salinha de chão batido, cujos alunos e professores dividiam o ambiente com saúvas, num grande formigueiro. Depois surgiram outros educadores, entre eles o Cel. João Carlos de Almeida Pinto, que em 1883, fundou o seu Colégio São João, chamado também de “Colégio do Pinto Louco”, em referência ao seu excêntrico proprietário. O colégio possuia um corpo docente digno de respeito.
O jornalista e acadêmico ‘in memoriam’ da ABC, Ruy Menezes, em seu livro ‘Espiral – História do Desenvolvimento Cultural de Barretos, pp. 90/91, escreveu: “Fato de suma importância para a vida da cidade foi a instalação, a 30 de setembro de 1912, do seu primeiro Grupo Escolar [. . .] Seu primeiro diretor, nomeado pelo Governo em 4 de novembro de 1912, foi o prof. Oscar de Melo Britto. Contava, a princípio, com apenas 7 classes […]. Seu corpo de professores, alguns que já vinham lecionado por aí, esparramados pela cidade em escolas isoladas, foram: Elisa Wey Muniz Barreto, José Francisco Marcondes, Fausto Lex, Hermínia de Almeida Pfuhl, Sílvio Aguiar Sousa, Dília Ribeiro, Benedita da Silva, Maria Luiza Sampaio Formozinho. Era porteiro, o saudoso Astolfo Ferreira Campos, cuja sineta nos bate até hoje aos ouvidos, e ocupavam as funções de serventes José Pedro da Silva e Virgínia de Camargo Vieira […] o diretor em comissão, o prof. Sebastião Dias, ocupando a inspetoria escolar, o prof. B. M. Tolosa […]”.
Através do decreto de 6 de julho de 1950, o Primeiro Grupo Escolar de Barretos, passou a denominar-se Grupo Escolar “Dr. Antonio Olympio”, em homenagem ao advogado, promotor público e chefe político barretense Dr. Antonio Olympio Rodrigues Vieira, falecido em 1942.
Lastimavelmente, o lindo prédio, em estilo clássico, apelidado de ‘carrapatão”, devido ao seu formato arquitetônico, construído na Praça Francisco Barreto, teve sua demolição em 1972, para a construção de um novo prédio, deixando um rastro de tristeza e indignação nos seus milhares de ex-alunos e em todos os barretenses.
Atualmente a E.E. Dr. Antonio Olympio funciona em período integral, cuja direção é ocupada pela profª Amália Maria dos Santos Folgosi e a coordenadora de Organização Escolar profª Patrícia de Oliveira, conta com 13 classes, 23 professores, uma secretaria com 6 funcionários e 7 serventes/merendeiras.
E a escola continua em movimento no seu papel primordial de formar cidadãos, por isso enaltecemos a direção, professores, funcionários e alunos desse honroso estabelecimento de ensino.
Aplausos!!!

 

 

José Antonio Merenda
Escritor, historiador
e membro da ABC – Academia
Barretense de Cultura – Cadeira nº 29

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