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Ser Igreja
Vimos, na Liturgia da Palavra do dia 19, quem é a Igreja. Mas, o mais importante é aprender a “ser Igreja”. De nada serve saber quem é a Igreja, sem fazer o que nós devemos fazer. Esta omissão dos que queremos ser chamados de cristãos nos faz colaboradores da corrupção e da violência que nos atormenta.
Jesus de Nazaré, filho de Maria, foi escolhido pelo Pai para mostrar-nos com o seu exemplo e ensinar-nos com a sua palavra o que precisamos fazer para “ser Igreja”, e o resume com estas palavras: “Eu vos dei exemplo para que vós façais a mesma coisa”. Assim Ele nos diz o que nós devemos fazer para ser Igreja. Como não entendemos estas palavras de Jesus, Deus nos fala para que compreendamos o que nós devemos fazer para colaborar na construção do “Novo Céu e da Nova Terra,” de que nos fala São João no Apocalipse, e que é a missão de quem deseja fazer parte da Igreja de Cristo.
Jesus excluiu os traidores. Este foi o primeiro gesto de Jesus mandando embora a Judas antes de celebrar a Páscoa com os seus discípulos, na última ceia. Ele sabia que muitos intentariam introduzir na sua Igreja coisas que não estão de acordo com a vontade do Pai. Judas foi o primeiro que O seguiu e entrou a fazer parte do grupo dos seus apóstolos para conseguir o que ele queria, até entregar o Mestre por t30 moedas de prata.
O livro dos Atos dos Apóstolos (15,1-29) afirma que: “Vendo que o evangelho de Cristo era tão bem acolhido pelos pagãos, alguns fanáticos da religião judaica resolveram fazer propaganda de que os pagãos precisavam primeiro ser circuncidados. Isto obrigou a realização do Concílio de Jerusalém, com a presença de representantes de todas as comunidades cristãs. Depois enviaram a todas as comunidades o resultado: ‘Decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue dos animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes estas coisas. Saudações!’”.
São João, no Apocalipse (21,14-23), apresenta outra visão da Igreja: “Vi a cidade de Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus. Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com 12 portas. Sobre as portas estavam 12 anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das 12 tribos de Israel”. Isto nos faz entender que a Igreja de Cristo está aberta para todas as nações do mundo, e protegida pela Palavra de Deus divulgada pelos apóstolos. “Eles eram os alicerces, seu templo era o próprio Senhor, o Deus todo-poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem,pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Isto confirma o que Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo”.
Jesus disse a seus inimigos: “Destruí este templo e em três dias eu o reconstruirei”. São João, no seu evangelho (14,23-29), nos diz o porquê com palavras de Jesus: “Se alguém me ama guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isso é o que eu vos disse enquanto estava convosco. Mas o defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Por isso, é o Espírito Santo a fonte de toda a vida do cristão. E, quando afirmamos que não sabemos o que dizer aos nossos filhos, ou que não temos coragem de enfrentar os problemas é porque não acreditamos que Deus esteja conosco.
Monsenhor Antônio Santcliments Torras
Pároco emérito da paróquia São João Batista de Olímpia