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O vazio da alma
O vazio da alma é o nome da escultura do artista romeno Albert Gyorgy que, para expressar o sofrimento e a solidão humana, projetou um homem sozinho, com a cabeça baixa e um enorme buraco no lugar de seu peito. Essa escultura revela o imenso vazio existencial que, infelizmente, muitos de nós estamos mergulhados, ainda que não conscientemente.
A dor da solidão, a mudez, o fechamento em si mesmo, a ausência de princípios e valores e a profunda falta de esperança são algumas das interpretações feitas por especialistas ao analisarem a obra de arte e, talvez ela expresse isso e muito mais. De fato, é alarmante o alto índice de pessoas deprimidas e o elevadíssimo número de suicídios que ocorrem, sobretudo, entre adolescentes e jovens. Isso é sintomático e, paradoxalmente, na era da comunicação, onde existem inúmeros recursos para se comunicar e se aproximar das pessoas, há também tamanho isolamento.
Todos estamos sujeitos a experimentar a falta de sentido na vida, no entanto, em todos nós existetambém o potencial necessário para superar a crise e retomar o caminho. A pergunta fundamental é a respeito do que realmente pode preencher o vazio interior e devolver o sentido da vida. Ao contrário do que muitos pensam, não são as conquistas materiais, profissionais, estéticas ou qualquer outra dessa ordem, que serão capazes de responder tais anseios, é mais profundo que isso, é de ordem existencial, ontológica e, porque não dizer, espiritual.
É necessário um sincero e empenhado processo de autoconhecimento, capaz de identificar os mais profundos traumas e se reconstruir em base a alicerces muito mais sólidos e duradouros e, talvez o grande problema consista, justamente, em maquiar tais carências e tentar suprimi-las com algo que não pode corresponder ao que elas exigem. Somente um exercício de projeção para fora nós, em direção ao Transcendente e ao Sagrado possibilitará um novo olhar sobre nós mesmos, capaz de nos situar, nos integrar e nos plenificar.
O saudável exercício da fé e da espiritualidade pode oferecer caminhos acertados para o reencontro conosco mesmo, nos conscientizando de que não somos frutos do acaso e nem tão pouco acidentes da natureza, mas fomos sonhados, desejados e planejados por um Ser maior que nós e que têm para nós um propósito e um ideal de vida e, quando correspondemos a esse ideal, nos sentimos plenos e realizados; compreendemo-nos e nos enxergamos no emaranhado da trama da vida. O vazio da alma, nessa perspectiva, nada mais é que o distanciamento daquela verdadeira resposta, única capaz de nos revelar a nós mesmos e que, para nós que temos fé, a reconhecemos como Deus.
Diácono Fernando Felix Rabelo