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“Neurociência em foco” – Neurociência e a Síndrome de Down: uma importante parceria
Há muito se tem discorrido sobre a Síndrome de Down, caracterizada como uma alteração na distribuição cromossômica das células, resultante da presença de um cromossomo extra no par 21, por este motivo, a síndrome de Down também é conhecida como Trissomiado 21. Esta condiçãoprovoca um desequilíbrio da função reguladora dos genes, contribuindo para alterações no desenvolvimento e nas funções das células.Esta síndrome é a alteração mais comum dentre as alterações cromossômicas, e segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, a cada 800 crianças nascidas no mundo, uma (1)apresenta a Síndrome.
O cérebro humano possui aproximadamente 100 bilhões de neurônios, que se conectam para elaborarem funções altamente complexas.Na ocorrência da síndrome, o sistema nervoso apresenta alterações estruturais e funcionais e isso pode gerar déficits na formação e na consolidação das conexões neurais necessárias para estabelecer certos mecanismos como atenção, memória, o pensamento abstrato, entre outros.
Pesquisas da atualidade têm oferecido contribuições de grande relevância para conhecermos mais sobre o cérebro humano e, a partir daí, aprimorar as teorias do desenvolvimento, compreendendo como as conexões cerebrais interferem na manifestação e aprimoramento dos comportamentos humanos, especialmente a aprendizagem.Por meio de estudos da neurociência é possível definir que características desta síndrome, como as modificaçõesnas conexões neuronais, podem sermoldadas atravésda interação com o meio ambiente, o que pode levar a processos de superação e adaptação. Isso só é possível devido à plasticidade cerebral, uma capacidade adaptativa do sistema nervoso central com habilidade para modificar sua organização estrutural e funcional.
Há comprovações científicas de que as conexões cerebrais, apesar de intrincadas e precisas, são altamente maleáveis, podendo ser afetadas por fatores ambientais, como estimulação sensorial, motora e cognitiva. Tal fato reforça a importância da estimulação adequada, permitindo, dessa maneira, a reorganização das conexões neurais.
Atrelada a conceitos da neurociência, estabelece-se a descaracterização de processos de estigma decorrentes na constatação da trissomia, pois evidencia a inexistência de graus da síndrome, estabelecendo que as diferenças de desenvolvimento decorram das características individuais, derivadas de heranças genéticas, estimulação, educação, meio ambiente, problemas clínicos, dentre outros. No documento “Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down”, publicado pelo Ministério da Saúde (2013), encontramos informações que direcionam os principais cuidados com a saúde relacionados às pessoas com Síndrome de Down evidenciando alguns destes aspectos no marco de seu desenvolvimento.
Falar em plasticidade implica diretamente em considerar o ecossistema em que a pessoa com Síndrome de Down está inserida. Quanto mais se oferece um ambiente desafiador e enriquecido, que promova autonomia e diferentes possibilidades de descobertas de seu potencial, melhor será o seu desenvolvimento.
Compreende-se concomitantemente a importância de um acompanhamento multiprofissional às alterações inerentes a síndrome. A família, a escola e os profissionais da saúde (psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, dentre outros) devem realizar um tratamento interdisciplinar, unindo relevâncias para um trabalho coeso e conjunto.
Os Psicólogos podem atuar neste acompanhamento, apoiando na construção da autonomia para atividades cotidianas, reduzindo dificuldades comportamentais apresentadas no contexto familiar ou escolar, por exemplo. Além da estimulação cognitiva das funções executivas, tais como o controle inibitório, a memória de trabalho e a flexibilidade mental.Empregando o conhecimento científico para a compreensão dos processos cognitivos, intensifica-se intervenções voltadas à pessoa, no contexto ao qual ela se desenvolve, visando a potencialização de resultados no seu desenvolvimento, proporcionando a otimização da qualidade de vida e viabilizando a construção de sua autonomia.
Marcela Alves Martins: Discente do Curso de Psicologia da Faculdade Barretos. Mariana Ducatti: Psicóloga, Mestre em Ciências e Docente da Faculdade Barretos. Everton Horiquini Barbosa: Fisioterapeuta, Doutor em Ciências e Docente da Faculdade Barretos.