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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Permita-se perdoar

Perdoar pode ser uma tarefa árdua e longa, e desistir de tudo pode parecer mais fácil. Mas não é o mais correto. Somos todos humanos e suscetíveis ao erro, devemos sempre nos colocar na posição do outro: “O quanto eu gostaria de ser perdoado se cometesse o mesmo erro que cometeram comigo?”. Talvez para conseguir perdoar, tenhamos, primeiro, que abrir mão do nosso orgulho ferido.
O perdão é uma decisão pessoal que beneficia, em primeiro lugar, quem toma a iniciativa. O perdão é muito mais para mim do que para a pessoa que me ofendeu, por isso, a decisão de perdoar depende mais de mim do que dos outros.
Perdoar é uma das maiores formas de generosidade que existem. É uma parte quase inevitável de todas as relações que mantemos. Concedê-lo e pedi-lo é uma liberdade, uma opção que confere a ele um valor enorme, já que costuma envolver um esforço maior que suas alternativas: não pedi-lo ou não concedê-lo.
Por isso, na maioria das vezes, perdoar é um bem que fazemos a nós mesmos, pois, paramos de nos punir por algo de mau que fizeram contra nós. Paramos de permitir que as atitudes destrutivas de outras pessoas continuem definindo as nossas escolhas, continuem interferindo no nosso olhar sobre o mundo.
Muitas vezes não perdoamos porque pensamos que, desse modo, não libertamos a outra pessoa da culpa, mas a realidade é que a pessoa que mais sofre é aquela que não sabe perdoar. Não fazê-lo implica que a dor permaneça em seu interior, se transformando em uma espécie de punhal afiado e descontrolado capaz de causar um enorme dano de maneira imprevisível.
O perdão traz muita paz consigo o alívio gerado por ele carrega um sentimento tão suave e profundo que as palavras não conseguem descrever sua totalidade, ele nos liberta, é a expressão máxima da graça e o triunfo do amor, daquele mesmo amor que Cristo teve na cruz ao dizer: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem”.
Talvez, neste momento, você não esteja preparado para perdoar completamente, mas pode trabalhar para conseguir fazer isso. Porem lembre-se sempre de que a perfeição não existe, que o erro, inevitavelmente, existe. O que é modificável é o que fazemos com ele e como potencializamos nossa capacidade para que o dano e a dor que ele pode causar desapareçam o quanto antes de nossas vidas.
Carlos Moni
Seminarista

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