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O ensino de programação de computadores para crianças e o pensamento computacional
A organização HappyCode (escola de tecnologia e inovação que utiliza metodologia baseada no conceito global STEAM – Science, Technology, Engineering, ArtsandMath) afirma que “a importância do ensino de programação e robótica já pode ser comparada ao ensino de outras línguas, como o inglês e o espanhol”.
O acesso das crianças desde cedo à tecnologia, tem sido cada vez mais recorrente. Algumas pegam o celular dos pais, escolhem o desenho que querem assistir no YouTube ou baixam o seu jogo favorito na Play Store. Esse fato tem despertado diversos estudos ao redor do mundo para compreender melhor como essas crianças aprendem e vivem no mundo digital.
Observa-se que a maioria dos cursos conscientiza a criança para ser um bom usuário de informática e não desenvolve nela o pensamento computacional. Porém, quando uma criança aprende uma linguagem de programação ela é estimulada a pensar de forma estruturada, pois designa funções que serão cumpridas pelo computador utilizando códigos criados por uma sequência de palavras e números. Desse modo, o lado esquerdo do cérebro é desenvolvido e este lado é responsável pelo raciocínio analítico, lógico e crítico. Esse aprendizado ajuda também na organização de pensamentos, e tudo isso reflete na capacidade de planejar tarefas, estruturar pensamentos e até na forma de estudar do aluno.
Utilizando a metodologia certa as crianças podem aprender a programar. É o que propõe o CODE CLUB criado por ClareSutcliffe e Linda Sandvik em abril/2012 com o objetivo de ensinar programação de computadores às crianças. De acordo com a Organização CODE CLUB Brasil “aprender a programar não é útil apenas se você quiser ser um programador no futuro. Programar ajuda em outras habilidades, como resolver problemas, desenvolve o raciocínio lógico e contribui em outras matérias como ciências e matemática”.
Quando o aluno utiliza uma linguagem de programação ele transforma procedimentos em conhecimento e então, descreve quais são os passos necessários para que certo objetivo seja alcançando, a fim de que determinado problema seja resolvido.
O desemprego vem aumentando gradativamente no Brasil, mas para a categoria de Tecnologia da Informação as coisas têm sido bem diferentes. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação de 2016 aponta que esse mercado movimentou no Brasil aproximadamente 438 bilhões de reais e no período de 2010 a 2016 cresceu 5,1% ao ano. Existe ainda a expectativa de que nos próximos quatro anos o Brasil precisará de 750 mil profissionais na área de tecnologia. Independente se crianças e adolescentes irão seguir carreira nesta área ou não, é importante que sejam mais do que usuários comuns e sim construam o pensamento computacional.
Uma opção para o ensino de programação são os jogos computacionais. Desta forma a criança não tem uma real noção de que está aprendendo lógica de programação e pode se distrair, fugindo um pouco das carteiras rotineiras da escola. “Os jogos possibilitam o desenvolvimento cognitivo do aluno, o aprimoramento de sua atenção visual, de seu pensamento crítico e capacidade de resolver problemas”Akilli, (2011). Além disse o jogo computacional permite que a criança tenha uma experiência mais real do desenvolvimento de software que o exercício tradicional.
Conforme o aluno interage com o jogo computacional, existe então a construção do conhecimento. A criança deixa de ser um agente passivo e passa a ser um agente ativo. Ela tem o poder de mudar o cenário, permitir movimentos dos personagens e atuar no meio em que está inserido. Este aluno terá o poder de encontrar e testar soluções, tirando assim suas próprias conclusões.
Buscar soluções durante um jogo computacional estimula a criatividade e a atividade cerebral, e auxilia o aluno no desenvolvimento do raciocínio lógico. A ideia é tão real, que a organização CODE CLUB que funciona através do voluntariado, já conta com mais de 8 mil clubes de programação criados em mais de 80 países com lições traduzidas para mais de 15 línguas diferentes.
Portanto, é preciso que a escola tanto na sua estrutura física como em relação aos seus professores, se adeque para recepcionar esse tipo novo de aluno: o nativo digital, pois esses possuem uma competência tecnológica natural, própria do contexto em que nasceram e devem ser motivados a desenvolver o pensamento computacional.
Débora Gimene Soutto, discente do 7º. Semestre de Sistemas de Informação da Faculdade Barretos e orientada por Ms. Maria Ludovina A. Quintans (Bina).