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“Ame o seu próximo como si mesmo” Mc 12, 31
Com o mandamento amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo, Jesus resumiu toda a lei e a profecia e lançou as bases do cristianismo que, em síntese, não é outra coisa senão a prática do amor incondicional, amor ágape, gratuito, desinteressado, à semelhança do imensurável amor de Deus por nós, expresso, sobretudo na cruz.
Amar o próximo como a nós mesmos pressupõe amor próprio, e talvez seja este o grande mal do mundo e uma das explicações para tamanha falta de amor. As pessoas não se amam, não se aceitam, não estão resolvidas consigo mesmas e com isso desenvolvem um complexo de inferioridade tamanho e que é fonte de tantas atrocidades. A falta de amor próprio e o complexo de inferioridade convergem sempre para a inveja, a calúnia, a perseguição, pois o outro sempre será uma ameaça para a estabilidade e os projetos pessoais.
Infelizmente, o que ocorre, portanto, não é a falta de amar o próximo como a si mesmo, mas, justamente porisso, é que nos deparamos com tantas situações que contradizem o princípio do amor verdadeiro. Amor próprio é sinônimo de luz interior e uma pessoa iluminada ofusca os que vivem nas trevas e por isso incomoda tanto.
Precisamos nos amar mais, nos aceitar mais, reconhecer nossas virtudes como dons de Deus e reconhecer as virtudes e talentos dos outros também, só assim seremos capazes de acolher, aceitar e amar os outros e, então, será de novo possível sonhar e realizar a fraternidade tão desejada por Deus e ensinada por Jesus.
Fernando Felix Rabelo