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ACOMODAÇÃO
Bom Dia Barretos. Definitivamente, a sociedade brasileira tem características de uma sociedade acomodada. Aceita passivamente as regras do jogo, e só quando estimulada, participa de movimentos em favor de seus direitos. Mas a grande maioria desses movimentos nasce de interesses pessoais ou grupais, pouco divulgados.
Se quisermos realmente mudar os costumes arraigados na nossa sociedade, temos que começar por casa, pela base. Exemplo claro pode-se recolher em nossa cidade. Vimos no começo desse ano, ano que ainda está engatinhando, protestos contra o aumento extorsivo da água, bem como dos impostos, da taxa de iluminação pública, da passagem da limpeza pública para o SAAE e das privatizações.
As manifestações e os protestos duraram pouco mais de alguns dias, e então as pessoas foram se acomodando e as medidas amargas se concretizando. Isso se repete na grande maioria dos municípios brasileiros. Se a sociedade brasileira verdadeiramente quer mudanças, deve se mobilizar para acabar com as medidas e mordomias que agridem o nosso bom senso, e começar em casa.
Vejo uma grande movimentação para fazer um ato contra o governo federal, e aí pergunto com os meus botões: por que logo agora quando a inflação dá mostra de queda continuada, que se começa perceber uma tênue, mas esperançosa retomada do crescimento industrial, quando os juros começam a descer ladeira abaixo levando consigo o dólar.
Por que só agora quando se anuncia uma safra recorde superando todas as expectativas e os preços começam a se estabilizar teríamos que começar um movimento buscando desestabilizar o governo? Será que estamos vivendo uma sinistrose, ou seja, possuídos de um sentimento excessivamente negativo de descrença com relação ao país e suas instituições, ou apenas sendo induzidos a participar de um movimento, cujos líderes agasalham o sentimento de num futuro próximo substituir aos que hoje estão no poder?
Se for para mudar de verdade, por que não começarmos mudando os costumes em casa? Se cada município conseguir esse feito doméstico, o sucesso no geral estaria consolidado, mas, preferimos sempre começar uma nova ação, como começamos em Barretos, e em seguida esquecer dizendo que nada vai mudar. Lembro- me de uma história muito interessante, denominada “Não se Renda” que ilustra muito bem o que aqui exponho. Diz a história: “Desde criança, Svetlana tinha uma paixão: dançar e sonhar em ser uma grande bailarina do balé Bolshoi. Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, mestre do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a companhia.
Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento. Ao final, aproximou-se do mestre e perguntou-lhe: – Então, o senhor acha que eu posso me tornar uma grande bailarina? – Não – respondeu o mestre”.
Na longa viagem de volta à sua aldeia, Svetlana, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele “não” deixaria de reverberar em sua mente.
Dez anos mais tarde, Svetlana, já uma estimada professora de balé, criou coragem de ir à apresentação anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem à frente e notou que o senhor Davidovitch ainda era o mestre. Depois do concerto, aproximou-se do cavalheiro e contou-lhe como doera, anos atrás, ouvir-lhe que não seria capaz de participar do Bolshoi.
Mas, minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes – respondeu o senhor Davidovitch. – Como o senhor poderia cometer uma injustiça dessas? Dediquei toda a minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido um sucesso se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou! Havia solidariedade e compreensão na voz do mestre, mas ele não hesitou em responder: – Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente se foi capaz de abandonar seu sonho ao ouvir o primeiro não”. Pense nisso meu irmão. Acho que sempre é hora de agir, mas para obtermos êxito, devemos começar pela nossa casa.
BOM DIA BARRETOS.