Artigos
O MAR
Bom Dia Barretos. O mar não está para peixe, diz um ditado popular. Mas parece que alguns governantes na atualidade não estão preocupados se o mar está ou não para peixe. Outro ditado diz: Não se atravessa lagoa infestada de piranhas, mas estão tentando atravessá-la assim mesmo.
Algumas atitudes tomadas pelos nossos governantes mostram como está fazendo falta, em todos os níveis de governo, a presença de um assessor centrado, que possa estar alertando para as consequências de se tomar medidas extemporâneas e inadequadas, mesmo que suas advertências possam vir a desagradar ou cair no vazio.
Não é porque fulano ou beltrano participou da campanha eleitoral que deva ser contemplado com um cargo, e muito menos, porque alguém importante veio a sugerir, pedir ou mesmo exigir que se agasalhe alguém no primeiro escalão do governo que deva ser atendido.
A ocupação de cargos nos diversos níveis das administrações sempre deve ser baseada na tríade: 1 – competência do escolhido. 2 – sua capacidade comprovada de trabalho. 3 – seriedade no trato do erário público. A seguir pode se questionar sua lealdade, seu grau de responsabilidade, sua amizade, bem como sua participação na eleição.
Quando o governante tenta agradar a todos e pagar apoio político com cargos no governo, tenham certeza, estará pavimentando o terreno para a catástrofe. Pior ainda quando pairam dúvidas robustas contra os escolhidos ou agasalhados. Amizade se paga com amizade, lealdade com lealdade, mas o que está em jogo quando alguém é eleito pelo povo para um cargo, é sua capacidade de mando, sua competência em atingir as metas propostas e sua lealdade para com os seus eleitores e com sua comunidade.
Para isso, tem que contar com a ajuda de pessoas sérias, competentes e comprometidas com o plano de governo apresentado aos eleitores. O governante deve se comportar como o maestro de uma orquestra. Cuidar para que todos os músicos sejam competentes e que estejam com os seus instrumentos devidamente afinados para que ninguém atravesse durante a apresentação.
Aliás, a parábola “Um bom mestre” ilustra muito bem o que estou dizendo. Diz a parábola: “Um discípulo perguntou ao mestre: – Quando devo colocar em prática as coisas que aprendi? O sábio respondeu-lhe: – Ainda estou lhe ensinando. Por que essa impaciência de colocar algo em prática? Espere a hora certa. No momento seguinte, outro discípulo perguntou-lhe: – Quando devo colocar em prática as coisas que aprendi? – Imediatamente – respondeu o mestre. – Mestre, o senhor não age com justiça – reclamou o primeiro discípulo. – Meu colega sabe tanto quanto eu, e o senhor não o proibiu de agir. – Um bom mestre conhece a essência de seus discípulos – disse o mestre. – Ele freia aquele que é ousado demais e empurra o que não sabe andar com as próprias pernas”.
Mas para agir como o maestro ou como o mestre, o administrador tem que saber escolher sua equipe, e escolher entre os melhores que dispuser, não os escolhendo por amizade, por participação eleitoral ou atendendo pedidos irrecusáveis, para que nunca, nunca mesmo, perca o comando e a capacidade de orientá-los e deles poder cobrar e extrair o melhor desempenho. Enquanto assim não se proceder, o barco continuará à deriva e o mar que não está para peixe poderá estar propício para náufragos.
BOM DIA BARRETOS.