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O amor é uma arte
Erich Fromm, em a Arte de Amar, escreve que “o amor imaturo diz: eu te amo porque preciso de você! O amor maduro diz: eu preciso de você porque te amo!”. No primeiro caso, a fonte é a necessidade, no segundo caso a fonte é o amor.
Um amor imaturo, que vive apenas à base de sentimentalismo e emoção, é um amor útil, de utilidade. Eu amo o outro apenas porque preciso dele, porque ele me pode ser útil, porque pode me oferecer alguma coisa. Quando ele não serve ou não me agrada mais, acabou o amor. Quando ele faz a mim uma correção como um puxão de orelha ou diz uma palavra que vai no fundo do meu ser e exige de mim reflexão ou mudanças, eu não o amor mais.
Já o amor maduro, “eu preciso de você porque te amo”, é um amor desinteressado. É um amor que encontrou no profundo de si, porque já encontrou em Deus, a grande inspiração para amar. Erich Fromm vai ainda além, ele compara o amor a uma arte. Para se chegar ao nível da arte não é fácil. Diz ainda que quem não chega nesse nível talvez nunca conseguirá amar e nunca saberá o que é o amor. (Recomendo a leitura).
“Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 46.48). O amor faz com que dividamos com o outro que temos de melhor, e não o que há de mais precário. Faz a gente oferecer o que temos de melhor, e não entremos na vida do outro para fazer o pior. O viver em Cristo é ser capaz de olhar o outro como alguém que merece meu respeito, que merece minha reverência, meu amo maduro.
Emerson Manoel da Silva
Padre, psicólogo, pós-graduando em terapia de casal e família