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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Artigos

Ser conduzido é sempre melhor

Disse mais. Disse-me que todos estes anseios, desejos e projetos para o futuro tinham uma conexão direta com meu orgulho. Não um orgulho direto e intrínseco, e simparecido com alguém do tipo “controlador severo”, que deseja que tudo saia da maneira que lhe apraz, e por de trás desta necessidade insaciável de controle, um orgulho indireto, porém, presente. 
Não eram tantas consultas assim para o doutor saber de tudo o que se passava no meu interior (talvez cinco ou seis anos de terapia diária). Apenas havia dito sobre o grande sonho em ser médico, e disse-me ele “para ter o controle da vida e da cura em minhas mãos”. Ou talvez professor universitário, e teria o controle sobre todo o conteúdo a ser ensinado para os nossos jovens. Ou quem sabe me tornar um padre ou um pastor, e assim assumir todo oconteúdo religioso e espiritual. Quem sabe ainda piloto de avião, teria assim o controle não apenas da aeronave, mas sobre a vida de cada passageiro assentado e o destino de todos. 
Não digo sonhar em ser presidente da república, quem sabe apenas presidir alguma instituição, pois temo todo o tramite burocrático que as minhas decisões estariam submetidas, uma vez que almeje ter o controle sobre qualquer assunto. Talvez no cenário politico atual, a vontade própria do presidente seja irrelevante mediante o jogodos poderes do congresso nacional. Mas sem dúvida faria curso superior para imperador romano,daqueles da linhagem de Constantino e Carlos Magno, se é que seja fácil passar por tal vestibular para seguir carreira, ainda que certamente assumisse o controle eclesiástico, estadista e familiar por completo e total.
Bom mesmo seria entender, que, por de trás do controle, há o orgulho, e, por de trás do orgulho, talvez uma parcela de insegurança e pobreza de espírito, acarretando em uma personalidade que deseja o controle de tudo e de todos. O controle do espaço e do tempo. O controle dos nossos afazeres e dos afazeres dos outros. 
Bom mesmo seria ser criança novamente, onde a única preocupação é divertir-se, e não controlar, sabendo que sempre (ou assim deveria ser) existem responsáveis que têm cuidado de tudo. Ainda tem gente por aí dizendo que devemos amadurecer… Nós devemos infantilizar, se é que buscamos mais sabedoria! 
Bom mesmo é lembrar que existe um Pai Celestial, que sempre cuida de nós, a todo tempo, e o tempo todo, fiel para todo aquele que invocar o teu santo nome – Jesus. Bom mesmo é aprender que não podemos acrescentar sequer um palmo de altura em nossas estaturas, que todos os planos humanos são falíveis, e que nada de fato está completamente no alcance de nossas mãos. “Non auferetCoegi”. Eu não sou conduzido, eu conduzo (traduzido do latim). Se conduzes, conduzes mal! Bom mesmo é ser conduzido por Aquele que tudo pode, tudo sabe e em todo lugar está…
 
Levon de Araújo Coutinho 
é barretense

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