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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Artigos

A situação dos trabalhadores em 2015

O IBGE divulgou a Síntese de Indicadores Sociais de 2015. Para começar, a renda média real dos trabalhadores com carteira assinada foi de R$ 2.195 e a dos informais de apenas R$ 1.174, quase a metade. E houve queda na renda, para os sem carteira, a queda foi de 8,28%, enquanto que para os registrados foi de 3,43%. 
Entre 2005 e 2015, o IBGE observou um aumento de 39,9% no número de trabalhadores em trabalhos formais, totalizando 54,8 milhões. Em 2015, o percentual de pessoas em trabalhos formais foi de 58,2%, contra 46,2% em 2005. Em 2015, houve redução da população ocupada sobre o ano anterior e pela primeira vez na década, a redução foi de 3,7 milhões, ou 3,8%. Os mais afetados foram os jovens de 16 a 24 anos, -10,7%, e as pessoas sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto, -16,2%. 
Quanto aos desempregados, no período de 2013 a 2015 houve aumento da desocupação, com o maior crescimento da população desocupada em 2015, registrando 38,9%. E dos 9,8 milhões de desocupados, quase 42% eram jovens de 16 a 24 anos de idade. A taxa de desemprego foi mais elevada para os jovens, 22,8%, e mulheres, 11,6%. 
A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho continua e fica ainda mais evidente entre os cargos de chefia. Em 2015, 6,2% dos homens empregados com 25 anos ou mais de idade eram gerentes ou diretores, contra 4,7% das mulheres. Além disso, a desigualdade salarial entre esse grupo de profissionais é ainda mais elevada do que a média geral, as mulheres receberam, em média, 68% do rendimento médio dos homens. No geral, a diferença salarial é um pouco menor, as mulheres ganham o equivalente a 76% do salário dos homens. 
Em 2015, o rendimento-hora das pessoas com 12 anos ou mais de estudo foi de R$ 35,11, mais de quatro vezes o rendimento-hora da população ocupada com até 4 anos de estudo, que foi de R$ 8,20. Essa diferença diminuiu, já que, em 2005, essa relação era de 5,3 vezes. 
A situação piorou para as crianças, pois aumentou a proporção dos domicílios em situação de pobreza. Em 2015, 18% das crianças de 5 a 14 anos viviam em lares cujo rendimento mensal per capita era de até 25% do salário mínimo, em 2014, esse percentual era de 15,9%. Para crianças de zero a quatro anos a proporção foi de 17,6% em 2015, contra 15,2% em 2014. 
A situação de crianças e adolescentes em situação de insegurança alimentar também assusta, 34,1% das crianças de até quatro anos vivem nesses lares e, para as crianças de 5 a 14 anos, a taxa atingiu 33,7%. 
A situação melhora quanto ao saneamento básico. O percentual de crianças de zero a 4 anos que viviam em domicílios sem acesso a nenhum serviço de saneamento caiu de 15,3% em 2005 para 8,1% em 2015. O saneamento inclui abastecimento de água por rede, rede coletora de esgoto e coleta de lixo. O saneamento básico é uma das causas da mortalidade infantil 
E para completar o desastre social, o valor do aluguel. Isso é problema quando compromete mais de 30% da renda domiciliar e, segundo dados do IBGE. A parcela dos domicílios nessa situação saltou de 24,3% em 2005 para 32% em 2015. 
Em suma, está aí um resumo do Brasil para que os políticos elejam suas prioridades. 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 
 

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