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Tu és meu Filho, eu hoje te gerei
Estamos celebrando o período do natal que nos traz esta boa notícia do nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus. É Deus mesmo que se faz presente em meio aos seus filhos por meio do Emanuel, que significa “Deus conosco”. É Deus que, por meio do seu Filho amado, nos dá a oportunidade de sermos também acolhidos como filhos amados.
Portanto, o natal não é somente a festa do Filho, mas também a festa do Pai. Um Pai que gera no amor um Filho. Um Pai que ama sua obra e que não quer outra coisa senão amá-la.
Que bom se nós humanos também fossemos capazes de amar nossos filhos, fruto do amor entre um homem e uma mulher. Que bom seria se a mãe Igreja acolhesse sem distinção aqueles que um dia foram gerados no seu ventre por meio das águas do batismo. Que bom seria se o amor que devotamos aos nossos filhos estivesse acima de qualquer outra pretensão ou egoísmo humano.
E dissermos com o salmista, no Salmo 2, versículo 7: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” na simplicidade de uma criança que nasceu trazendo alegria aos seus pais; num sorriso singelo; no afago de um colo; na beleza e na ternura de uma vida nova. Que bom será se também formos capazes de dizer “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” no berço da cruz; na tortura dos pregos e da coroa de espinhos que fazem doer a alma; no lado aberto pela laça e num rosto desfigurado pelas feridas e pela dor.
Vale dizer: que bom se soubermos amar nossos filhos assim como eles são: no berço da manjedoura ou no berço da cruz; quando fazem aquilo que queremos ou não. Que bom será se soubermos amá-los mesmo quando desfigurados por seus erros, seus olhares se voltam a nós como quem nos reconhecem como seus pais. Que assim seja todos os pais e a mãe Igreja.
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma